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Mensagem do Papa Francisco

“Regina Coeli,” 02-04-2021

Caros irmãos e irmãs,

No Evangelho deste quinto Domingo de Páscoa, o Senhor se apresenta como a verdadeira videira e fala de nós como ramos que não podem viver sem permanecerem a Ele. Ele diz assim: “Eu sou a videira e vocês são os ramos”. Não há videira sem ramos, e vice-versa. Os ramos não são auto-suficientes, mas dependem totalmente da videira, que é a fonte da sua existência.

Jesus insiste no verbo “permanecer”. Ele o repete umas sete vezes na passagem do Evangelho de hoje. Antes de deixar este mundo e ir para o Pai, Jesus quis tranquilizar Seus discípulos para que possam continuar unidos a Ele. Ele diz: “permaneçam em Mim e Eu permanecerei em vocês”. Este “permanecer” não é um permanecer passivo, um adormecimento no Senhor, deixando-se levar pela vida. Não, não é isto. O permanecer Nele, o permanecer em Jesus que Ele nos propõe é um permanecer ativo, e também recíproco. Por que? Porque os ramos sem a videira nada podem fazer, têm necessidade da seiva para crescerem e dar fruto; mas também a videira precisa dos ramos, porque os frutos não despontam no tronco da árvore. Trata-se de uma necessidade recíproca, é um permanecer recíproco para produzir fruto. Nós permanecemos em Jesus e Jesus permanece em nós.

Antes de tudo, nós temos necessidade Dele. O Senhor nos quer dizer que, antes da observância dos Seus mandamentos, antes das bem-aventuranças, antes das obras de misericórdia, necessitamos estar unidos a Ele, permanecer Nele. Não podemos ser bons cristãos, se não permanecermos em Jesus. Ao invés, com Ele, tudo podemos. Com Ele, tudo podemos.

Mas também Jesus, assim como a videira com os ramos, tem necessidade de nós. Talvez pareça uma ousadia dizer isto, e então nos perguntamos: em que sentido Jesus tem necessidade de nós? Ele precisa do nosso testemunho. O fruto que, enquanto ramos, devemos produzir é o testemunho de nossa vida cristã. Depois que Jesus subiu para o Pai, é dever dos discípulos – é dever nosso – continuar o anúncio do Evangelho, com a Palavra e com as obras. E os discípulos – nós, discípulos de Jesus – o fazem testemunhando Seu amor: o fruto a transmitir é o amor. Ligados a Cristo, recebemos os dons do Espírito Santo, e assim podemos fazer o bem ao próximo, fazer o bem à sociedade, à Igreja. Pelos frutos se conhece a árvore. Uma vida verdadeiramente cristã dá testemunho de Cristo.

E como podemos consegui-lo? Jesus nos diz: “Se vocês permanecerem em Mim e as Minhas palavras permanecerem em vocês, podem pedir o que quiserem e isto lhe será feito”. Também isto é uma ousadia: a segurança de que o que pedimos nos será dado. A fecundidade da nossa vida depende da oração. Podemos pedir que pensemos como Ele, que ajamos como Ele, que vejamos o mundo e as coisas com os olhos de Jesus. E assim amarmos os nossos irmãos e irmãs, a começar pelos mais pobres e sofredores, como Ele fez, e amá-los com seu coração e levar ao mundo frutos de bondade, frutos de caridade, frutos de paz.

Confiemo-nos à intercessão da Virgem Maria. Ela sempre permaneceu unida a Jesus e produziu muito fruto. Que ela nos ajude a permanecermos em Cristo, em Seu amor, em Sua Palavra, para testemunharmos no mundo o Senhor Ressuscitado.

Trad: AJFC

Digitação: EAFC

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