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Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus” – Dia 13.06.2021

As palavras que hoje a Liturgia nos apresenta – duas parábolas – inspiram-se justamente na vida cotidiana e indicam o olhar atento de Jesus, que observa a realidade e, por meio de pequenas imagens do dia a dia, abre janelas para o mistério de Deus e sobre a experiência humana. Jesus falava de maneira fácil de entender, falava por meio de imagens da realidade, da vida cotidiana. Assim, Ele nos ensina que também as coisas do cotidiano, as que, por vezes, nos parecem todas iguais, e que levamos adiante com distração ou cansaço, são habitadas pela presença escondida de Deus, têm um significado. Então, nós precisamos ter olhos atentos, para sabermos buscar e encontrar a Deus em todas as coisas.

Hoje, Jesus compara o Reino de Deus, isto é, sua presença que habita o coração das coisas e do mundo, a um grãozinho de mostarda, isto é, à menor semente que existe: é bem pequenina. E, todavia, uma vez lançada na terra, cresce até tornar-se uma grande árvore. Assim é que Deus faz. Por vezes, os ruídos do mundo, junto a tantas atividades que preenchem nossos dias, nos impedem de parar e ver de que maneira o Senhor conduz a história. E, no entanto, o Evangelho garante, Deus está em obra, semelhante a uma boa sementinha, que, silenciosa e lentamente vai brotando. E, pouco a pouco, torna-se uma árvore exuberante, que dá vida e refrigério a todos. Assim também a semente de nossas boas obras pode parecer pouca coisa. No entanto, tudo que é bom, a Deus pertence e, portanto, de maneira humilde e lenta produz fruto. O bem – lembremo-nos – sempre cresce de modo humilde, de maneira recôndita, com frequência, de modo invisível.

Caros irmãos e irmãs, com esta parábola, Jesus quer infundir em nós confiança. Em muitas situações da vida, com efeito, pode parecer desencorajar-nos, porque vemos a fragilidade do bem em relação à aparente força do mal. E assim possamos deixar-nos paralisar pela desconfiança quando constatamos que nisto estamos empenhados, mas os resultados não chegam e as coisas parecem nunca caminhar. O Evangelho pede de nós um novo olhar sobre nós mesmos e sobre a realidade. Ele nos pede que tenhamos olhos mais generosos, que sabem ver além, especialmente, para além das aparências, para descobrirmos a presença de Deus que, como amor humilde, está sempre agindo no terreno de nossa vida e no da história. Esta é a nossa confiança, é ela que nos dá força para seguirmos adiante cada dia, com paciência, semeando o bem que produzirá fruto. Quanto é importante esta atitude inclusive para sairmos bem da pandemia! Cultivar a confiança de que estamos nas mãos de Deus e, ao mesmo tempo, todos empenhados em reconstruir e recomeçar, com paciência e constância.

Também na Igreja as ervas daninhas podem criar raízes, sobretudo quando assistimos à crise da fé e ao fracasso de vários projetos e iniciativas. Mas nunca esqueçamos de que os resultados da semeadura não dependem de nossas capacidades: dependem da ação de Deus. Cabe a nós semearmos, semearmos com amor, com empenho e com paciência. Mas a força da semente é divina. É o que explica Jesus na outra parábola de hoje: o agricultor lança a semente mas depois não percebe como ela produz fruto, porque a própria semente está crescendo espontaneamente, de dia e de noite, quando menos ele espera. Com Deus, mesmo na terra mais seca, há sempre esperança de brotar de novo.

Que Maria Santíssima, a humilde serva do Senhor, nos ensine a vermos a grandeza de Deus, que age nas pequenas coisas e a vencermos a tentação do desânimo. Confiemos Nele todos os dias!

Trad: AJFC

Digitação: EAFC

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