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Mandela recebe seu primeiro Mega Feirão do Brás

Por Carolina Vaz Nos dias 15, 16 e 17 de maio, a favela do Mandela recebeu, pela primeira vez, o Mega Feirão do Brás. Moradores puderam conferir diferentes peças de roupas vindas diretamente de São Paulo, além de tênis, bijuterias e eletrônicos. Brás é um bairro de São Paulo conhecido pelo baixo preço das confecções, […]

Por Carolina Vaz

Moradores que passavam por perto decidiam parar e conferir a feira. Foto: Miriane Peregrino.

Nos dias 15, 16 e 17 de maio, a favela do Mandela recebeu, pela primeira vez, o Mega Feirão do Brás. Moradores puderam conferir diferentes peças de roupas vindas diretamente de São Paulo, além de tênis, bijuterias e eletrônicos. Brás é um bairro de São Paulo conhecido pelo baixo preço das confecções, e sempre recebe lojistas de outras partes do país que compram para revender. Para o Mandela, favela do Complexo de Manguinhos, vieram vendedores de lá, e as peças mais expostas eram as próprias do outono e do inverno: calças, camisetas, meias, casacos de diversos modelos. Os preços estavam bons: era possível comprar calça jeans feminina por 50 reais e casacos por 30.

A maioria das peças à venda eram roupas para o outono/inverno. Foto: Miriane Peregrino.

Antonio Martins, um dos organizadores da feira, é morador de Belford Roxo. Ele contou que a feira é itinerante, e em cada final de semana está em um bairro do Rio, mas nem sempre com os mesmos vendedores. São os comerciantes organizados para esse tipo de atividade que, lá em São Paulo, analisam o bairro da próxima vez e decidem quem vai. Para levar a feira itinerante ao Mandela, ele conversou com a associação de moradores, que providenciou o local: um espaço vazio em frente à região conhecida como Mandela 2, na divisa com Manguinhos. A divulgação ficou por conta de faixas espalhadas pela favela e carros de som, que fazem parte da preparação para que, no final de semana, todo mundo saiba do evento. Segundo ele, a recepção foi boa no Mandela: “Foi bacana. Gostaram muito e querem que volte”, contou.

Antonio Martins leva a feira a diferentes bairros do Rio de Janeiro. Foto: Miriane Peregrino.

Uma das pessoas que ficou sabendo da feira pelo carro de som foi Carolina Araujo. Moradora dos predinhos da Embratel, no Mandela, ela apareceu na feira no primeiro dia, e perguntou em cada bancada se alguém precisava de ajuda nas vendas. Assim, virou vendedora de roupas por alguns dias, bem perto de onde mora.

Os comerciantes já estão acostumados com esse ritmo de viagem e de ficar “morando” longe de casa por alguns dias toda semana. Jakeliny Gonçalves, por exemplo, tem 17 anos e desde pequena acompanha os pais, que vendem camisetas masculinas, bermudas e moletons. Hoje, ela tem sua própria bancada de roupas infantis. Já está acostumada: durante a semana, ela estuda. Depois, feira, cada semana em um lugar diferente. “A gente sai de lá na quinta à noite e chega de volta na segunda de manhã”, relatou. Segundo ela, o movimento no primeiro dia foi melhor, e nos dias seguintes nem tanto. Mas a feira vai voltar, e da próxima vez mais moradores já vão saber.

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