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Madalena – teatro das oprimidas

Uma experiência cênica que busca investigar as opressões enfrentadas pelas mulheres no nosso planeta hoje, por questões de gênero antes do que de raça, cultura, profissão, religião…

madalena_teatro_das_oprimidasAcontecendo no Brasil (Ceará e Rio de Janeiro), além de Guiné-Bissau e Moçambique, países da África lusófona, de janerio a maio de 2010, o ‘Laboratório Madalena’ é uma experiência cênica voltada para mulheres empenhadas em investigar as especificidades das opressões enfrentadas pelas mulheres e mesmo as suas próprias alienações, e em atuar para a criação de medidas efetivas que contribuam para a superação dessas opressões e para a igualdade dos gêneros.
A experiência busca percursos de expressões estéticas e narrativas a partir do corpo feminino. Esse corpo que ao longo dos séculos permaneceu escondido, protegido e oprimido pelo corpo masculino, e hoje parece protagonizar, como objeto e sujeito, a ribalta de nossa sociedade midiática. O corpo da mulher despido, exibido, sensual, trivial, reinventado, prostituído, espremido e despedaçado nos outdoors, nas páginas das revistas, nas passarelas da moda e do samba, é o melhor veículo para venda de qualquer produto. É no corpo feminino que se trava hoje, mais do que no masculino, o embate entre os hábitos ancestrais e a defesa dos direitos humanos fundamentais. Essa condição comporta ilusões, feridas, contradições e uma busca urgente de significados.
O ponto de partida para o ‘Laboratório Madalena’ ocorreu em dezembro de 2009 com duas oficinas, sendo uma delas composta por um grupo de trabalhadoras domésticas nordestinas. A partir de janeiro de 2010, pelo menos quatro laboratórios estão confirmados para ocorrer: no Ceará, com parceira do SESC Ceará e apoio da Cia Carroça de Mamulengos; no Rio de Janeiro; além de Guiné-Bissau e Moçambique, países da África lusófona.
As produções artísticas resultantes (peças, performances, esculturas, pinturas, instalações, poesias etc) circularão localmente, estimulando a discussão pública a respeito das opressões e violência contra o corpo da mulher, mesmo em tempos de revolução de hábitos e vivências e da emancipação da mulher em diversos contextos sociais. Em maio, acontecerá no Rio de Janeiro a Mostra “Madalena ocupa a Lapa”, com apresentação e exposição dessas produções artísticas e mesas de discussão sobre o tema. A experiência será registrada no ‘documentário Madalena’ e publicada na Revista Metaxis.
Quem desenvolve
Vencedor do ‘Prêmio Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura’, com patrocínio do Ministério da Cultura/Funarte e realização do Centro de Teatro do Oprimido em parceria com Alessandra Vannucci, diretora teatral italiana premiada no Brasil (‘A descoberta da América’, PRÊMIO SHELL 2006 e Melhor Espetáculo de 2006 para O Globo) e na Itália (‘Arlecchino all’inferno’, Prêmio Arlecchino d’Oro 2007), o ‘Laboratório Madalena’ integra a residência artística da diretora no Projeto Teatro do Oprimido de Ponto a Ponto¹.
As experiências cênicas do ‘Laboratório Madalena’ serão desenvolvidas por Alessandra Vannucci e Bárbara Santos. Alessandra realiza pesquisa sobre arte e violência contra a mulher, investigando o tema do corpo feminino neste começo de terceiro milênio, suas revoluções, mutações, expectativas, seduções, obsessões e opressões. Bárbara é socióloga e curinga² do Centro de Teatro do Oprimido, onde coordena o Projeto Teatro do Oprimido de Ponto a Ponto, possuindo larga experiência na formação de grupos populares no Brasil e na África, além de coordenar de programas de formação.
¹ Projeto realizado pelo Centro de Teatro do Oprimido com patrocínio do Ministério da Cultura por intermédio do Programa Cultura Viva.
² Artista com função pedagógica, praticante, estudioso(a) e pesquisador(a) do Teatro do Oprimido, um(a) especialista em constante processo de formação.
Onde acontece
‘Laboratório Madalena’, no Ceará
11 a 15 de janeiro – SESC Crato. Rua André Cartaxo 443, Crato. Tel. (88) 3523-4444
Ao término deste Laboratório acontecem apresentações públicas, com ingressos GRÁTIS, das produções artísticas resultantes (teatro, escultura, pintura, textos etc):
15 de janeiro às 19h – SESC Crato, no Crato
16 de janeiro às 16h – Praça João Cabral, em Juazeiro
17 de janeiro às 14h – Teatro do CEU, em Fortaleza
Após as apresentações acontecerão painéis de discussão do tema apresentado.
‘Laboratório Madalena’, no Rio de Janeiro
2 a 6 de fevereiro – Centro de Teatro do Oprimido. Av. Mem de Sá 31, Lapa. 21 2232-5826
Ao término deste Laboratório acontece apresentação pública, com ingressos GRÁTIS, das produções artísticas resultantes (peças, performances, esculturas, pinturas, instalações, poesias etc) no dia 6 de fevereiro às 19h, seguido de painel de discussão do tema apresentado.
‘Laboratório Madalena’, em Guiné-Bissau
1 a 6 de março – San Domingo
Ao término deste Laboratório acontece apresentação pública, com ingressos GRÁTIS, das produções artísticas resultantes (teatro, escultura, pintura, textos etc) no dia 6 de março às 18h, na comunidade de Varela.
‘Laboratório Madalena’, em Moçambique
26 a 30 de abril – Maputo
Ao término deste Laboratório acontece apresentação pública, com ingressos GRÁTIS, das produções artísticas resultantes (teatro, escultura, pintura, textos etc) no dia 1° de maio, às 14h, no mercado público de Maputo.
Mostra “Madalena ocupa a Lapa”
28 de Maio – no Largo da Lapa
O evento gratuito e que acontece em praça pública, a partir das 15h, tem no programa:
Madalena Debate – lona de discussão sobre a situação da mulher na sociedade atual;
Madalena Expõe – exposição das produções artísticas resultantes dos laboratórios do Brasil e da África;
Madalena Canta – show musical comandado por mulheres;
Madalena Encena – apresentação das cenas produzidas nos laboratórios.
Como participar
As interessadas em participar dos laboratórios devem acessar o site http://ctorio.org.br/novosite/, baixar a ficha de inscrição e enviá-la para o e-mail do Centro de Teatro do Oprimido contato@ctorio.org.br. A participação é gratuita, mas é necessário inscrever-se com antecedência. Vagas limitadas.
(*) Divulgação e fotos do Centro de Teatro do Oprimido – CTO.

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