Lula livro

É um perigo! 
Sair de casa e se deparar com alguém lendo Guimarães Rosa. De repente, ao sair com seu companheiro ou companheira, ser surpreendido por alguém lendo Machado de Assis, em um café ou lanchonete.
E no piquenique, seu filho brincando ver, subitamente, alguém lendo Cecília Meireles.
E nas páginas policiais de um jornal, todos os dias, ler  um escrito de Jorge Amado, Vinícius de Morais e Carlos Drumond de Andrade.
Quem entra numa biblioteca não tem apreço pela ignorância. Está premeditando praticar um atentado contra o desconhecimento, uma emboscada à desinformação.
Fico imaginando um mundo com as facções disputando em rodas de leitura quem vai espalhar obras do Arcadismo, do Romantismo, do Realismo e do Parnasianismo.
Fico pensando qual será minha reação se, andando despreocupadamente pela rua, alguém armado com um livro, disser: parado aí, isso é um poema! E me atingir com rimas de Cora Coralina.
E se no cruzamento, com o sinal fechado, alguém bater no vidro e, de livro em punho, anunciar um trecho de João Cabral de Melo Neto.
Já pensaram se em vez de violência contra a mulher os homens passarem a praticar leitura com as mulheres. Ou num ato mais tresloucado ainda, dedicar-lhes poesias.
Poesias são melhores do que rosas e flores, pois podem ter todos os cheiros, todas as cores e podem ser despetaladas com bem me quer e mais me quer e não murcham nunca.
Se todo cidadão tiver a autorização para portar um livro, inclusive fora de casa, ele estará seguro contra a idiotice, a burrice e a incompetência.
Faltou o apedeuta dizer que se ele não for reeleito ouviremos por aí, absurdos como “analfabeto bom é analfabeto letrado” ou, então, como “razão em cima de tudo, amor em cima de todos”.
Já que Lula está livre, a palavra de ordem agora é Lula livro.
(Autoria desconhecida)

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