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Lula em Campina Grande: ‘A inflação vai baixar, como já baixamos uma vez’

Por Tiago Pereira

Candidato reafirmou retomada da valorização do salário mínimo e criticou Bolsonaro por programas eleitoreiros de auxílio à população, além de tentar se apropriar dos méritos pela transposição do Rio São Francisco

Em ato público em Campina Grande, na Paraíba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou que quer voltar à Presidência da República “não para governar o Brasil, mas para cuidar do povo”. “Esse país está precisando de cuidado e de respeito”, disse o candidato, nesta terça-feira (2), para a população da segunda maior cidade do estado. Nesse sentido, Lula prometeu a retomada das obras públicas, como forma de criar postos de trabalho no país. Ele reforçou também que quer provar, mais uma vez, que um torneiro mecânico é capaz de consertar o que foi destruído pelas elites.

“Quero voltar e dizer que o salário mínimo vai voltar a aumentar todo ano acima da inflação. Todas as categorias organizadas vão receber reajuste acima da inflação. Quero dizer que a inflação vai baixar, como já baixamos uma vez. E que os juros vão baixar”, disse o candidato.

Lula disse ainda que é preciso “recuperar a democracia”, bem como “recuperar os direitos do povo de comer, trabalhar e estudar”. E ironizou o concorrente à reeleição, Jair Bolsonaro, por tentar tomar para si os méritos pela transposição do Rio São Francisco. “Essa gente tem tanta desfaçatez, é tão mentirosa, que eles são obrigados a mentir, mesmo por coisas que eles sabem que o povo sabe”.

Também criticou o atual presidente por promover as eleições “mais caras do planeta”, ao aprovar pacote de benefícios e auxílios de R$ 41 bilhões, mas que só valem até o final do ano. “Ah, mas ele agora resolveu dar o vale-gás. Não é de agora que o povo não está podendo comprar gás. O gás está acima de 120, 130 reais há muito tempo”, disse Lula.

Memória histórica e combate ao fascismo

A memória da aprovação dos governos de Lula e seus sucessores no Nordeste é um dos grandes trunfos para a construção de palanques em 2022 – o favoritismo do ex-presidente apontado pelas pesquisas eleitorais na região, sempre acima de 60%. Na Paraíba, por exemplo, Lula teve 48% dos votos no primeiro turno da eleição de 2002 e 57% no segundo. Quatro anos depois, foram 65% e depois 75%. Em 2010, com Dilma Rousseff, foram 53% dos votos válidos no primeiro turno e 62% ,no segundo; depois, 56% e 64% em 2014. Em 2018, Fernando Haddad teve 45% no primeiro e 65%, no segundo.

Mas, neste ano, não será uma eleição comum, disse Lula. “Estamos disputando contra o fascismo, contra os milicianos, contra pessoas que não têm sentimento nem amor. Que não choraram uma lágrima por conta de 700 mil pessoas que morreram de covid. Estamos lutando contra alguém que não comprou vacina”, alertou o ex-presidente, conclamando a população a fazer a campanha nas ruas.

No ato de Campina Grande, Lula também citou a fome que aflige os brasileiros, em especial os moradores do Nordeste. “Não é humanamente possível a gente imaginar que um país que é o terceiro produtor de alimentos do mundo, o maior produtor de proteína animal, que uma criança vá dormir com fome, que uma família morra de desnutrição. Ou que as pessoas fiquem na fila do osso“. Segundo o ex-presidente, essas coisas só acontecem “porque quem governa esse país não tem vergonha na cara, não tem responsabilidade e não tem compromisso com o povo”.

Coutinho

O ex-governador Ricardo Coutinho (PT-PB) contou ao público que lotou o Parque do Povo que a transposição do São Francisco comandada por Lula salvou Campina Grande da seca que assolou a região entre 2012 e 2018. Em abril de 2017, um mês após a inauguração popular da transposição, na cidade de Monteiro, interior da Paraíba, as águas do Velho Chico começaram a chegar no reservatório de Boqueirão, que estava com apenas 2,8% de sua capacidade. “A transposição salvou Campina Grande e mais 19 cidades do compartimento (represa) da Borborena. Era impossível pensar em abastecer uma cidade de 500 mil habitantes através de carros pipa”, disse Coutinho.

Coutinho também destacou que a Paraíba acelerou a “300 quilômetros por hora”, durante os oitos anos da sua gestão no estado, transcorrida em parceria com o governo federal, quando Lula era presidente. Ele afirmou ter construído cerca de 1.200 quilômetros de adutoras, 2.680 quilômetros de asfalto e 1.450 leitos de hospitais, dentre outras obras no período. “Não tinha essa história de que o estado é pobre e não tem dinheiro para nada. Conversa fiada de mal gestor, mal governante”. Desse modo, ele afirmou que é preciso mudar o estado novamente.

Vené

Ex-prefeito de Campina Grande, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), candidato ao governo paraibano, citou Coutinho como “referência administrativa” e disse que Lula é “a maior liderança popular do nosso país”. Vené, como é conhecido, foi o primeiro candidato emedebista a governador que anunciou o apoio a Lula. Ele também prometeu retomar as obras paradas no estado e programas de geração de oportunidades para a juventude, retomando o legado de Coutinho.

Também prometeu investimentos na agricultura familiar, com projetos de irrigação utilizando as águas da transposição do S. Francisco. “É inadmissível que depois de quatro anos ainda não temos um único projeto que se utilize das águas do S. Francisco”. Ele atribuiu tal situação à “inoperância, insuficiência e insensibilidade humana”, do atual governador, João Azevedo (PSB).

Assim como em Pernambuco, Lula deverá ter o palanque oficial de Veneziano, mas também terá o nome defendido pelo candidato do PSB. A aliança nacional do PSB com a campanha de Lula fez da Paraíba um dos focos de tensão nas conversas com o PT – como a que a ainda persiste no Rio de Janeiro.

Fonte: Rede Brasil Atual

(02/08/2022)

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