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Lições de convivência

Poucas vezes tivera tanto fruto de uma situação insustentável como quando, ao longo de cinco anos, veiu-se às voltas com a necessidade de conviver com um vizinho mal-educado, egoísta e grosseiro, sem qualquer consideração para com os seus vizinhos. Desde a chegada do mecãnico, em 2005, anunciada pelo som ensurdecedor de latas batendo, pancadaría metálica, até esta tarde de maio de 2010, em que o som de um rádio em alto volume me tirou o descanso da tarde, foram anos, dias, horas, seegundos de intenso aprendizado.

Soube da solidariedade de amigos e parentes, soube da inexistência de uma proteção contra a poluição sonora e do ar em João Pessoa. Soube, sobre tudo, que apenas uma intensa vida interior, um esforço árduo e incessante por tentar transformar a adversidade em crescimento, pode nos livrar de nos tornarmos vítimas destes seres que vivem como se existissem sozinhos no universo, sem vizinhos.

Tardes e noites sem dormir, depois de jornadas exaustivas, ar irrespirável (o sujeito queima pneus e solta solventes no ar, tudo em nome do seu ganha pão), falta de palavra (comprometeu-se a parar de fazer barulho incontáveis vezes), quanto há para aprender, não é mesmo? É isso aí, apois.

Por Rolando Lazarte

Sociólogo e escritor. Terapeuta Comunitário. Professor aposentado da UFPB. Membro do MISC-PB Movimento Integrado de Saúde Comunitária da Paraíba. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/

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