HISTÓRIA E DOCUMENTÁRIO, nota miúda

O cinema documental no Brasil tem uma tradição, pelo menos desde os anos 60. Os documentários produzidos por Thomaz Farkas que teve o nome de “A condição brasileira” é um dos exemplos interessantes de como o documentário tem papel importante no cinema brasileiro. E mais ainda, o documentário brasileiro, na sua maioria, optou por mostrar o “Brasil profundo” a partir das camadas populares.

O povo teve certo protagonismo raro na história do país. Os livros sobre o cinema documental é que são poucos. Nos últimos anos (década de 2000) começou um movimento interessante na produção bibliográfica. São dissertações de mestrado ou teses de doutorado, são ensaios e artigos e coletâneas de estudiosos que têm aparecido cada vez mais no mercado editorial brasileiro.

A mais recente publicação sobre o gênero foi: “História e Documentário”, coletânea organizada por Eduardo Morettin, Marcos Napolitano e Mônica Almeida Kornis, publicada pela editora da FGV (Fundação Getúlio Vargas). O livro tem 11 artigos em que abarca as diversas faces do documentário, mas tendo o fio condutor das temáticas historiográficas.

Dois aspectos podem ser levantados para demonstrar a importância da obra: o primeiro deles diz respeito à consolidação da pesquisa histórica que privilegia como fonte o cinema, apreendido em sua especificidade (não se trata apenas de fazer do cinema documental instrumento para a história, mas entende-lo como cinema, arte). O segundo aspecto importante se relaciona ao papel decisivo que o documentário vem desempenhando nos debates culturais do país desde o chamado “cinema da retomada”.

Os filmes documentais de Eduardo Coutinho, por exemplo, atestam o empenho de refletir sobre o momento presente de maneira crí tica e reveladora, dando continuidade ao caráter de intervenção que notabilizou esse tipo de produção cinematográfica desde o cinema novo. Os estudiosos do cinema documental tem uma obra séria e fruto de pesquisas na área. Encontram-se artigos de Ismail Xavier sobre “o documentário silencioso brasileiro”, de marcos napolitano sobre as produções de Silvio Tendler e de Rosane Kaminski sobre os filmes de Sylvio Back.

O autor é docente na UFS.

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