Hamas e Humalas

Por Isaac Bigio

LONDRES, 7/2/2006. Quando o bloco soviético se desintegrou, os movimentos anti-imperialistas remanesceram sem um contrapeso contra os Estados Unidos e passaram a se aproximar de Washington e do liberalismo econômico e político. Mandela e Lula foram abandonando o caminho das nacionalizações. Entretanto, hoje, há ‘anti-imperialistas’ que crescem adotando atitudes duras. Na Venezuela, Chávez consolida-se proclamando um forte anti-bushismo. No Irã, ganharam os mais anti-ocidentais. Na Bolivia e na Palestina, venceram o MAS e Hamas, que foram vetados pelos EUA.

No Peru, os antigos antiimperialistas também se aproximaram do centro. A esquerda reduziu-se depois de ter apoiado Fujimori ou Toledo. O APRA busca reconciliar-se com o empresariado, prometendo o fim das estatizações. Os Humalas aparecem como anti-imperialistas com mais ‘seriedade’.

Enquanto Antauro Humala quis um etno-nacionalismo radical (como o Hamas, mas sem terror e religiosidade), Ollanta Humala quer representar também um setor patriótico da direita. O primeiro passo seria encorajar bloqueios e greves e um confronto que, inicialmente, poderia dar o triunfo a Lourdes Flores. No final, geraria um clima social que pudesse levá-los ao poder. O segundo caminho conduz a uma dicotomia mais moderada, como no Chile, onde os social-cristãos, caso se aproximassem do centro, poderiam competir melhor. Um Humala moderado, entretanto, se perdesse, daria mais estabilidade a um próximo governo e poderia preparar-se para ser logo uma alternativa constitucional de reposição.

Chávez X Toledo

LONDRES, 17/1/2006. A relação entre o Peru e a Venezuela passa pelo seu pior momento. Alejandro Toledo chamou seu embaixador em Caracas quando Hugo Chávez e Evo Morales apresentaram Ollanta Humala como seu candidato às eleições presidenciais. O presidente e o vice-presidente da Venezuela responderam com duros ataques ao governo peruano.

Toledo quer finalizar seu mandato mantendo as boas relações com os Estados Unidos, freando as constantes interferências de Chávez em outros países e o avanço nacionalista nos Andes. Chávez quer se assegurar que Humala o siga e o agradeça. Busca ajudá-lo a ganhar, intensificando o apoio popular que ele e Evo têm, fazendo-lhe parecer vítima de um complô de um presidente impopular e de sua candidata favorita à sucessão (Lourdes Flores).

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