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Garçom, tem um terrorista na minha sopa!

Por Ricardo Lanza (*)

Pois é. Como nada mais é surpresa neste bélico mundo do século XXI, nossos vizinhos amazônicos andam às turras. Parece que o presidente colombiano Álvaro Uribe está se tornando uma espécie de Tony Blair latino. Já senta, dá a patinha e finge de morto, magistralmente adestrado pelos falcões do Bushinho. Depois de repetir como papagaio a ladainha estadunidense, resolveu agir como seus patrocinadores, invadindo território equatoriano. A justificativa já estava na ponta da língua: “guerra ao terrorismo”!

Lendo a cobertura (acobertura?) da imprensa, parece absolutamente normal que um país simplesmente invada o outro. Soberania nacional é apenas um detalhe… O enfoque recorrente na maioria dos textos é o êxito das ações. Pouquíssimas linhas sobre o perigoso precedente aberto pelo exército colombiano, que como todos nós sabemos, há muito tempo é literalmente bombado por grande quantidade de verdinhas. Aliás, Bushinho não tardou em “agradecer” Uribe por sua ação “forte” no combate aos terroristas.

O mais estranho é que a investida contra as FARC (uma das várias e abomináveis milícias colombianas) se dá justamente no período em que vislumbrava-se alguma luz nesta história obscura. Concordando-se ou não com esta perspectiva, pela primeira vez víamos alguns reféns serem libertados, com o presidente/mico de circo venezuelano Hugo Chavez se destacando como interlocutor. Alguns dos reféns libertados inclusive afirmaram que a ação de Chavez era válida e deveria continuar. Parece que esta imagem positiva do presidente venezuelano nos noticiários não agradou o pessoal lá do norte.

E tome movimentação militar nas fronteiras. O Equador, mais do que corretamente, exige providências na OEA. Se a moda pega, a Venezuela é a bola da vez, e Chavez terá orgasmos múltiplos. E a Colômbia? Bem, continua de quatro, esperando que entrem mais dólares. Está fazendo direitinho a lição. Já alardeia aos quatro ventos que o Equador “dá abrigo a terroristas” e que Chaves “financia o terrorismo”. Talvez seja na densa floresta amazônica que finalmente encontraremos Osama Bin Laden e as armas de destruição em massa.

(*) Leia mais de Ricardo Lanza em http://oblognervoso.blogspot.com/

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