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Empoderando Refugiadas conclui 2020 com 59 mulheres formadas e 79 pessoas interiorizadas

O projeto Empoderando Refugiadas, realizado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Rede Brasil do Pacto Global e ONU Mulheres, promoveu a formatura de 29 mulheres que vivem em abrigos de Boa Vista, capital de Roraima – estado que concentra grande parte das pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela que buscam proteção no Brasil.

Pela primeira vez em sua quinta edição, a turma de formandas do Empoderando Refugiadas contemplou mulheres com deficiência, com doenças crônicas, trans e idosas com mais de 50 anos, além de mães de crianças com deficiência.

“Nossa trajetória de vida não tem sido fácil. Tivemos que agarrar nossos filhos para partir da Venezuela, por toda dificuldade que enfrentamos por lá, lutando contra a fome. Chegar com a perspectiva de trabalhar e ver as oportunidades diminuírem por causa da pandemia foi mais uma barreira que enfrentamos. Agora, com este diploma em mãos, vamos adiante”, afirmou Daechli, de 21 anos, viúva e mãe de dois filhos.

O diploma conquistado por Daechli representa os conhecimentos adquiridos por ela e pelas demais participantes ao longo de 80 horas de formação, abrangendo temas como atendimento ao cliente e vendas, cultura brasileira, leis trabalhistas e de proteção à mulher, além de conteúdos sobre habilidades sociais e emocionais.

“Esta edição do projeto Empoderando Refugiadas focou a capacitação profissional de mulheres venezuelanas com perfil de vulnerabilidade pelas dificuldades de mobilidade que têm, mas que em nada impacta suas múltiplas capacidades e toda a determinação que possuem. Chegaram ao Brasil em busca de proteção provida pelo ACNUR e seus parceiros e agora, nesta nova etapa, estão em busca de novas oportunidades onde elas possam mostrar seus talentos e comprometimento”, afirmou a chefe do escritório do ACNUR de São Paulo, Maria Beatriz Nogueira.

Além de promover a formação das profissionais, o projeto busca também viabilizar a contratação das formandas pelo setor privado, promovendo a interiorização das mulheres e de suas famílias. Neste ano, dentre as 59 mulheres formadas em Boa Vista, 32% já estão empregadas e foram interiorizadas para os estados de Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, liderando a geração de renda de suas famílias.

“Penso agora em ter um emprego para que eu possa aplicar os conhecimentos adquiridos no curso, somando-os à experiência que eu já tenho na Venezuela. As empresas podem estar seguras que, uma vez que temos a chance de ser contratadas, não vamos decepcionar”, disse Valentina, venezuelana trans de 21 anos e que há dois anos vive no Brasil como solicitante da condição de refugiada.

O envolvimento do setor privado no financiamento e na provisão de vagas de emprego para as participantes do Empoderando Refugiadas é fundamental para garantir que haja o encontro entre quem se capacita com a oportunidade existente no mercado de trabalho brasileiro. Para o Coronel Alei Magluf Júnior, da Operação Acolhida, “o projeto se encaixa perfeitamente nos nossos objetivos de inserir as pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela que chegam ao nosso país acolhedor”.

Já o coordenador dos cursos Formação Inicial Continuada do Senac Roraima, João Lago, ressaltou o resultado positivo da formação em si. “Ao chegarmos ao final de uma jornada como essa, sentimos que alcançamos a nossa missão de educar para o trabalho, melhorando a vida das pessoas”.

Além da Operação Acolhida (resposta humanitária do governo federal ao fluxo de refugiados e migrantes da Venezuela), o projeto Empoderando Refugiadas em Boa Vista conta com o apoio da Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI Brasil), Círculos de Hospitalidade, Programa de Apoio à Recolocação de Refugiados (PARR), Foxtime, We Work, Grupo Mulheres do Brasil e Turma do Jiló. As metodologias dos cursos são do Senac Roraima e Aliança Empreendedora. Entre as empresas contratantes desta edição do projeto, estão Facebook, Unidas, Sodexo, MRV, Uber, Iguatemi e Lojas Renner.

Durante a formatura da última turma do ano, duas alunas subiram ao palco para expressarem seus agradecimentos a todos os apoiadores e realizadores do projeto, compartilhando mensagens de quem obtém a cada dia uma nova conquista.

“Desde o início tive o apoio do meu esposo, que me incentivou muito a seguir adiante. Ele sempre me dizia: ‘se não souber de algo, pergunte, esclareça’. Desta maneira, conheci diferentes formas de venda e sobre as leis trabalhistas. Agora, minha vida será melhor, não importa para qual estado nós iremos – o conhecimento nos acompanhará. Estou muito orgulhosa por ter feito parte deste projeto”, disse Mayra Malave, de 50 anos.

Fonte: Nações Unidas – Brasil

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