Eleições no Iraque se aproximam

Trabalhadores do UNICEF visitam sobreviventes do terremoto no Haiti em "Place Boyer", um parque público no distrito de Pétionville, em Porto Príncipe. O objetivo é avaliar o número de crianças que precisam de assistência imediata. / Foto: UNICEFLeia ainda sobre a lenta recuperação no Haiti, a vida ‘na praça’ após o terremoto no Chile e a longa espera pela ampliação do tratado sobre minas terrestres, na estreia da coluna “Pelo Mundo”, com notas de jornalismo internacional…

Vão ocorrer no próximo dia 7 eleições no Iraque, sob forte tensão. O enviado especial da ONU ao Iraque, Ad Melkert, admitiu em artigo no jornal The Washington Post [leia aqui] neste domingo (28) que os riscos à segurança são reais.
Ele fez um apelo à comunidade internacional, no entanto, pelo apoio ao processo político interno. Citou o “compromisso da maioria da população e legisladores em organizar a votação para o Conselho de Representantes de acordo com padrões aceitáveis aos iraquianos e à constituição”. Lembrou, ainda, que “desafios foram superados, como o direito de voto dos cidadãos que vivem fora do Iraque” e que “6 mil candidatos e um número significativo de coligações e partidos devem competir nas urnas”.
Melkert também é chefe da Missão das Nações Unidas no Iraque, a UNAMI.

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TRATADO SOBRE MINAS: PRESSÃO PARA ADESÃO ESTADUNIDENSE
Ativistas em todo o mundo intensificaram apelo para os Estados Unidos aderirem ao Tratado para a Proibição de Minas Anti-Pessoais, 11 anos após a entrada em vigor da convenção. O tratado entrou em vigor em primeiro de março de 1999. A organização não governamental ICBL (Campanha Internacional para a Proibição de Minas, na sigla em inglês) está mobilizando seus membros com o objetivo de visitar dezenas de embaixadas dos Estados Unidos, como forma de pressionar este governo a aderir.
Segundo a Rádio ONU, a diretora-executiva da ICBL (www.icbl.org), Sylvie Brigot, disse que a sua organização está satisfeita com a decisão dos Estados Unidos de reavaliar a sua política na área de minas anti-pessoais. Ela pediu ao governo americano para escutar as vozes de sobreviventes de minas e comunidades afetadas pelo flagelo durante esse processo de revisão. A ICBL venceu um Prêmio Nobel da Paz em 1997 pela atuação contra as minas.
O governo norte-americano anunciou em novembro do ano passado que tinha iniciado uma revisão da sua política na área. Os Estados Unidos não usam minas terrestres desde 1991, proibiram a sua exportação um ano depois e não produzem esses engenhos explosivos desde 1997. Ainda não aderiram, no entanto, ao tratado.
Segundo a ONU, cerca de 5,5 mil pessoas morrem todos os anos em acidentes com minas terrestres. (Com Carlos Araújo, da Rádio ONU)

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EUA E O NARCOTRÁFICO: PARTE DO PROBLEMA
O Governo dos Estados Unidos voltou a fazer um uso político do relatório anual [leia aqui] sobre a luta global contra o narcotráfico e a lavagem de dinheiro. O documento, lançado na última segunda-feira (1/3), serve de base para determinar, em setembro, possíveis sanções aos países que, segundo Washington, não fazem o suficiente para colaborar nessa área. Este documento tem justificado o repasse de milhões e milhões de dólares, anualmente, para a militarização da Colômbia. É bom lembrar que a secretária do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, visitou o Brasil nesta quarta-feira (3).
Apesar de tratar sobre tráfico de drogas, o documento também faz um resumo da situação política de alguns países. Neste ano, cita por exemplo os casos de José Roberto Arruda (ex-DEM) e as várias denúncias de irregularidades feitas contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Afirma ainda que o Brasil é um dos principais pontos de trânsito de drogas ilícitas destinadas à África, Europa e Estados Unidos.
O Palácio do Itamaraty, em tom crítico, rebateu o relatório com uma nota curta: “O Governo brasileiro recorda o seu forte comprometimento com o debate aberto e transparente, em foros multilaterais e regionais, das questões de segurança pública e combate a ilícitos e reitera, uma vez mais, não reconhecer a legitimidade de avaliações unilaterais, que refletem percepções de um único país” [disponível aqui]. Desta forma, deixa claro que não acatará uma posição autoritária e dissonante dos fóruns coletivos de debate.
Os Estados Unidos são, ironicamente, o maior consumidor de cocaína do mundo, seguido do Brasil. Já na Guatemala, Hillary admitiu a responsabilidade estadunidense. “Sabemos que somos parte do problema”, declarou a jornalistas, respondendo a uma pergunta sobre o que os EUA estão fazendo para reduzir a demanda.

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HAITI: LENTA RECUPERAÇÃO

Membros de 15 nações e representantes das Nações Unidas estão reunidos em Montreal, no Canadá, para discutir a reconstrução a longo prazo do Haiti, após o terremoto do começo deste ano, que praticamente destruiu toda a infraestrutura do país.
Membros do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) falam no disastre duplo – o terremoto e, principalmente, a pobreza extrema verificada neste país – como principais desafios para a reconstrução. “As crianças são a prioridade do UNICEF na região do terremoto. Elas precisam ser achadas, alimentadas, mantidas vivas e em segurança”, disse um comunicado desta organização.
A distribuição de água potável é uma das ações principais. São 115 pontos de distribuição na capital, Porto Príncipe, atingindo aproximadamente 200 mil pessoas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) também está ajudando na assistência nutricional, em Porto Príncipe, com 18 tendas “Amigas do Bebê”, onde mães e cuidadores recebem aconselhamentos sobre práticas nutricionais e medidas preventivas.
Também foi iniciada, no começo de fevereiro, uma campanha conjunta do Ministério da Saúde brasileiro, do UNICEF e da OMS de vacinação em massa contra o sarampo, a difteria e o tétano. O objetivo é imunizar 500 mil crianças com menos de 7 anos de idade. Estima-se que 60 mil pessoas já foram vacinadas.
Mais informações sobre como ajudar na recuperação do Haiti pelo telefone 0800 601 8407 ou pelo site www.unicef.org.br. Saiba mais informações aqui, em inglês.

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CHILE: A VIDA NA PRAÇA APÓS O TERREMOTO

Imagem: Ricardo De la Fuente. Convívio em acampamento em praça de bairro de Santiago, capital do Chile, depois do terremoto do último fim de semana

Interessantes relações vão acontecendo entre os vizinhos de distintas cidades e bairros chilenos, passados alguns dias do terremoto que deixou a muitas famílias sem possibilidades de regressar a suas casas. As praças se converteram em local de acampamento, onde se pode cozinhar juntos, tomar banho e levar uma vida comunitária que não existia antes.
Uma nova solidariedade, uma forma de compartilhar e de viver na provisoriedade vai aparecendo logo após a queda dos muros (como folhas de papel) de muitas casas e antes do regresso dos vizinhos a suas casas. São muitas famílias que foram se organizando, com o sem ajuda das autoridades.
Parece haver prolongado a temporada de férias, com os acampamentos e as grelhas para cozinhar ao ar livre, com as crianças indo e vindo para ajudar a trazer a água, para saber o que está acontecendo no outro quarteirão. Há uma grande tarefa nacional de reconstrução por diante, porém o que primeiro parece se restabelecer entre os chilenos é o trato humano entre os vizinhos, a proximidade, a comunição, a paridade humana e o afeto. (Com Pía Figueroa, da Agência Pressenza)

Por Gustavo Barreto

Jornalista, 39, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis clicando aqui). Atualmente é estudante de Psicologia. Acesse o currículo lattes clicando aqui. Acesse também pelo Facebook (fb.com/gustavo.barreto.rio) e Twitter (@gustavobarreto_).

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