Domingo é dia de cinema discute redução da maioridade penal

No último dia 26, o Estação Botafogo promoveu a edição de abril do projeto Domingo é dia de cinema. Embalados pelas músicas de cunho político da banda El efecto, e da exibição do filme Branco sai, preto fica, 250 pessoas debateram a redução da maioridade penal no evento que se estendeu até o começo da […]

Banda El Efecto abriu a edição do Domingo é dia de cinema
El Efecto abriu a edição do Domingo é dia de cinema

No último dia 26, o Estação Botafogo promoveu a edição de abril do projeto Domingo é dia de cinema. Embalados pelas músicas de cunho político da banda El efecto, e da exibição do filme Branco sai, preto fica, 250 pessoas debateram a redução da maioridade penal no evento que se estendeu até o começo da tarde.

A conversa contou com a participação de Deize Carvalho e Mônica Cunha, duas mães que tiveram seus filhos mortos em consequência do Sistema Socioeducativo brasileiro e que hoje lutam contra o abuso de poder cometido pelo poder judiciário e policial. Elas são porta vozes do movimento contra a redução da maioridade penal e relataram sua experiência com o Degase (Departamento Geral de Ações Socioeducativas) e a falta de preparo do sistema judiciário brasileiro para lidar com jovens infratores.

 As duas mães relataram problemas psicológicos e dependência química como consequências da violência sofrida por seus filhos. Hoje em dia elas atuam na Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, uma organização que reúne familiares de vítimas e sobreviventes da violência do Estado.

 

Deize Carvalho contou que, quando descobriu que seu filho Andreu tinha cometido uma infração, pediu em tribunal que ele fosse preso. Ela fez isso pois tinha esperança que, acolhido pelo Estado, o menino pudesse se afastar do crime. “Eu acreditei no sistema socioeducativo enquanto eu ainda não o conhecia, hoje eu luto para que nenhuma mãe tenha que passar pelo o que eu passei”, contou. Andreu foi torturado e assassinado nas dependências do Degase em 1º de janeiro de 2008.

 

Em relato similar, Mônica Cunha disse que encontrou no movimento social uma forma de canalizar a dor que sente pela perda de um dos seus três filhos, que aos 15 anos entrou para o Degase após participar de um roubo de carro e morreu ano passado em situação ainda não esclarecida. Mônica faz parte do movimento Moleque – Mães pela Garantia dos Direitos dos Adolescentes no Sistema Socioeducativo. Criado em 2003, o movimento reúne cerca de 80 mães que promovem atividades para os filhos que estão vivos e livres e buscam assistência jurídica para os que estão reclusos ou foram assassinados.

 

O debate teve ainda a participação de Marcelo Yuka, músico carioca que ficou paraplégico após ser atingido por um tiro durante assalto em 2000.

Redução não é solução

 

O movimento contra a redução da maioridade penal também está mobilizando um grande número de pessoas nas redes sociais. A campanha “Redução não é solução” é contra a aprovação do Projeto Emenda Constitucional (PEC) 171, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. No final de março, a PEC foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e uma comissão especial já foi criada para analisar todos os detalhes da proposta.

 

Durante a madrugada de hoje (28/04), cerca de 70 cidades em 23 Estados do Brasil farão intervenções artísticas em mais de 300 praças contra a redução da maioridade penal. A ideia é que essa seja a primeira mobilização de muitas contrárias à PEC em votação na Câmara.

Debatedores discutem a redução da maioridade penal
Público lotou o Estação Botafogo para debate

 

 

 

Deixe uma resposta