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Dia e noite

O sujeito, como diz o Maurício Menezes, é jornalista 24 horas ou não é jornalista. Eu tava outro dia lá na Fiocruz, na hora do almoço, e encontrei sem querer um pesquisador que era figurinha difícil de achar por aí. E pior: o sujeito era avesso a entrevista, que nem ele nunca vi.

Como quem não quer nada, cheguei pertinho e comecei:

– Oh, doutor. Tudo bem com o senhor?
– Opa, Gustavo, tudo ótimo.
– A família tá bem?
– Tá tudo bem.
– Ok, terceira pergunta. Quais são os principais benefícios deste recente estudo sobre genética que o senhor tá liderando lá no seu laboratório?

* * *
Pior é aquele jornalista viciado na profissão. Outro dia foi parar no hospital, depois de ter ficado inconsciente. Acordou meio perdido e começaram as perguntas para a esposa:

– Onde estamos?
– No hospital. Você desmaiou de fome.
– Qual hospital?
– Aquele da Tijuca.
– Tinha médico disponível?
– Só um.
– E que dia é hoje?
– Segunda-feira.
– Ok, então anota aí o lead…

Por Gustavo Barreto

Jornalista, 39, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis clicando aqui). Atualmente é estudante de Psicologia. Acesse o currículo lattes clicando aqui. Acesse também pelo Facebook (fb.com/gustavo.barreto.rio) e Twitter (@gustavobarreto_).

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