Desaparecimentos forçados: ‘Vamos deixar de fingir que este é uma questão de passado’

Apenas em 2015, 150 casos foram enviados ao Grupo de Trabalho da ONU. Os especialistas alertaram para novas modalidades utilizadas, incluindo a crescente atividade de grupos não estatais e os novos tipos de vítima, como os migrantes.

O Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários pediu nesta quinta-feira (22) aos Estados para transformar a erradicação dessa prática em uma de suas prioridades. Também alertou para as novas modalidades utilizadas, incluindo a crescente atividade de grupos não estatais e os novos tipos de vítima, como os migrantes.

“Não podemos fingir que isso é uma questão do passado. Enquanto abordamos esta questão, um desaparecimento forçado acontece”, disse o vice-presidente do Grupo de Trabalho, Bernard Duhaime à Assembleia Geral.

Ele reforçou que a tragédia do desaparecimento forçado deve ser reconhecida como uma questão dos dias atuais para que sejam desenvolvidas medidas efetivas e abrangentes para sua erradicação. Duhaime lembrou que apenas em 2015, o grupo recebeu 150 denúncias de casos em todo o mundo.

Para o especialista, os casos recebidos representam apenas a ponta do iceberg, já que muitos outros não são registrados ou chegam ao seu conhecimento. “Está é uma indicação clara que esta prática hedionda ainda é usada em vários países, com a falsa e perniciosa crença que esta é uma ferramenta útil para preservar a segurança nacional e combater o terrorismo ou o crime organizado”, disse.

O grupo ressaltou novos padrões utilizados, que incluem o desaparecimento maciço de pessoas com a ajuda de grupos paramilitares, milícias e crime organizado, operando com a conivência ou tolerância do Estado, e o ataque a outros grupos não relacionados a questões políticas, como os migrantes. Esse tema específico será tratado no novo relatório do Grupo, que será apresentado no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Fonte: Nações Unidas – Brasil
http://nacoesunidas.org/desaparecimentos-forcados-vamos-deixar-de-fingir-que-este-e-uma-questao-de-passado/

Deixe uma resposta