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Comunicação popular e pandemia

Por Claudia Santiago*

A pandemia desencadeada pelo novo coronavírus no ano de 2020 nos fez pensar sobre a tremenda desigualdade social no nosso país. Para quem vive em becos nas favelas não dá para não aglomerar. Não há distância de dois metros entre as janelas sempre abertas das casas.

Mas tudo isso foi relevado por algumas palavras: Auxílio emergencial e Sistema Único de Saúde (SUS). Uso esses dois exemplos para dizer que não dá mais para recusar a importância do Estado, como fazem todos os dias os meios de comunicação. Apenas o poder público é capaz de enfrentar uma pandemia, porque isto custa caro. E quando se fala em custo, patrão não gosta.

Só temos um modo de conversar com os trabalhadores e trabalhadoras sobre pandemia, pobreza, lucros altíssimos dos mais ricos. Unirmos a ligação amorosa, solidária com povo à comunicação popular. Feita de baixo para cima, ouvindo os reclames dos despossuídos, com a participação de crianças, jovens e adultos.

Pela rádio ou podcast, do celular, do jornal de papel, das redes sociais que vão nos formar e nos informar dos assuntos que interessam à nossa classe. Ela é muito importante para a organização das pessoas em luta por seus direitos. Sem comunicação não há organização popular. E sem organização, também não há comunicação popular. Elas precisam andar juntas.

Para isso temos que usar todos os meios: telefone celular, vídeo, música, novela. Sem nos esquecermos do jornal impresso que, por mais que alguns o olhem com desdém, é feito em favelas cariocas por ser considerado o melhor contato direto e físico com os moradores, muitos com fraco acesso à internet e dados móveis.

A organização da nossa classe no século 21 passa pelo local de moradia. 50% da PEA [População Economicamente Ativa] não está representada por um sindicato formal de trabalhadores. A atuação dos sindicatos nas periferias é urgente. Vamos investir na comunicação popular assim como o Brasil de Fato vem fazendo no Paraná?

Edição: Lia Bianchini

*Coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e mora no Rio de Janeiro.

Fonte: Brasil de Fato

(01-03-2021)

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