Categorias
Opinião

Comentário: A febre amarela no contexto ambiental

Por Gustavo Barreto

O corpo dos homens urbanos não precisa de uma vacina de um vírus silvestre. Se fosse assim, nos vacinaríamos de uma dezena de doenças, ou seja, colocaríamos antígenos em nosso corpo sem precisar criar os respectivos anticorpos. O Haemagogus, vetor da febre amarela, é silvestre. A campanha é feita corretamente, mas tendo macaco e floresta, teremos febre amarela sempre. Peguem os números de todos os anos, incluindo os do tempo de Oswaldo Cruz.

O Aedes aegypti, vetor urbano que é a ameaça, é responsabilidade do município. O dinheiro está todo lá, repassado, em grande quantidade. O César Maia, por exemplo, desviou 5 milhões da dengue, está no Tribunal de Contas que ele mesmo criou (leia aqui). Não teve jornal ou tevê que exigiu dos prefeitos posicionamentos firmes, tal como foi feito com o governo federal.

Jose Gomes Temporão, atual ministro da Saúde, é um sanitarista muito competente, veio do mesmo lugar que Oswaldo Cruz (o Instituto de Manguinhos, hoje Fundação Oswaldo Cruz). Pode não ser um excelente comunicador, mas é fruto de um dos movimentos sociais mais antigos do Brasil, o sanitarista, de Carlos Chagas, Adolpho Lutz e Sergio Arouca, entre tantos outros.

Seria ótimo que as pessoas pensassem mais na nossa civilização como um todo e questionassem até que ponto o avanço do homem sobre a mata não problematiza cada vez mais as relações homem-natureza. Nós, homens e mulheres, nos consideramos deuses acima dos animais, com nossa grande “racionalidade”, mas somos todos potenciais hospedeiros, prontos para receber de volta todo o descaso que temos com a Natureza.

Deixe uma resposta Cancelar resposta

Sair da versão mobile