Catadores de lixo no Rio se manifestam por melhores condições para a categoria

Catadores de lixo de vários municípios do Rio realizaram na manhã da última quinta-feira (22/07) uma manifestação no centro da cidade, antes do 2º Congresso Estadual do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. Segundo os organizadores, o evento foi realizado em busca do cumprimento das leis designadas à categoria e da construção de políticas públicas para e o desenvolvimento social e econômico dos trabalhadores.
Custódio da Silva Chaves, um dos coordenadores do movimento e presidente da cooperativa Cooper Gericinó, localizada no lixão do Jardim Gramacho, na Baixada Fluminense, explicou que o objetivo da manifestação era conscientizar os catadores e sensibilizar as autoridades em relação às suas necessidades e ao meio ambiente.
“Temos catadores aqui de vários territórios do Brasil e alguns parceiros internacionais que vão participar do congresso, e com essa mobilização esperamos sensibilizar o poder público municipal que é o gestor dos resíduos. A nossa dificuldade é ele entender que a gente só vai avançar quando termos um espaço, que está vinculado ao decreto estipulado. Somos cerca de 30 mil catadores na cidade”, destacou Chaves.
Vice-presidente de uma das três cooperativas que atuam no centro do Rio, Raivaldo Magno esclarece que apesar de o rendimento do trabalho nas ruas ser semelhante ao dos lixões as condições de trabalho são diferentes.  
“Estamos ainda em fase de expansão, reciclamos quase 70% do lixo no centro, o restante vai para o lixão. Na média o catador na rua tira R$ 70,00. Existem cerca de 60 cooperados em cada cooperativa, temos cursos, planos de saúde, dentre outras coisas. Queremos tirar os catadores da rua para trabalhar dignamente nos galpões, a própria Comlurb vai recolher o material nas ruas para nós fazermos a coleta seletiva”, disse Magno.
Catadora no lixão do Jardim Gramacho há 26 anos, Ângela Maria da Conceição diz que falta oportunidade de trabalho pois dentre os 5 mil trabalhadores que atuam no local existe até pessoas formadas.
“O lucro varia de material, idade, sexo, se você trabalhar de 5h da manhã até às 18h dá para arrumar R$ 100,00, mas tem gente que não consegue R$15,00 no lixão. A gente gostaria que tivesse mais cooperativa para reciclar, e falta emprego porque as pessoas não têm condições de sair do lixão. E na rua não pega poluição, doença, às vezes mexemos em lixo contaminado e nossas mãos estão sempre esfoladas”, desabafou a catadora.  
O aterro sanitário de Gramacho, na região metropolitana do Rio, tem previsão de ser desativado em 2011. Localizado na beira da Baía de Guanabara, cerca de 3 mil pessoas sobrevivem da coleta de materiais na região e outras milhares trabalham no entorno em empresas de processamento do que é reciclado ou no microcomércio que serve aos trabalhadores, segundo a Associação de Catadores do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho (Acamjg).  
De acordo com o ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, os catadores se queixam da falta de apoio em galpões e meios de transportes com razão e é preciso dar cidadania ao trabalhador por meio de investimentos em qualificação e equipamentos. Segundo ele, deve existir 70 cooperativas no estado, e será lançado o Pacto pela Reciclagem no Rio com o objetivo de triplicar o material reciclado na região.
“O BNDES vai financiar galpões para algumas cooperativas e as empresas vão ter de dar transportes. Mas a população também tem de fazer a sua parte, hoje só 5% dos domicílios faz a separação domiciliar do lixo. A desoneração nacional dos impostos dos materiais reciclados foi feita em dezembro e a estadual será feita nos próximos meses para ficar mais atrativo para os empresários a indústria da reciclagem”, destacou Minc.
Diógenes Del Bel, diretor-presidente da Associação Brasileira de Tratamento de Resíduos (Abetre), destaca que hoje apenas 38% dos resíduos têm destinação adequada no país. O setor privado fica com 12% montante, e movimenta R$ 400 milhões por ano, complementa.
 
 
 
 
 
 
 

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