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Cadê a coerência, senhor Ceneviva

Apresentador do Jornal da Band, Boris Casoy (aquele que não gosta de garis) e advogado da ABRA (Associação Brasileira de Radiodifusores, na prática Band e RedeTV), Walter Ceneviva, fizeram propaganda contra as resoluções da Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM), dizendo que liberdade de imprensa é clausula pétrea da Constituição Federal. “Setores da esquerda radical não sabem conviver com rádios, tevês e jornais livres”, diz Casoy, ex-integranto do Comando de Caça aos Comunistas. “Não é a primeira vez que o Governo tenta cercear a liberdade de imprensa”, completa.

Curiosíssimo: ninguém da sociedade civil ou do Governo foi ouvido na “reportagem” desta quarta (20/1), apesar de ser um programa jornalístico.

Pelo que se vê, não são os “setores da esquerda radical” que não sabem conviver com os empresários – dando o nome correto ao que chamam de “livres”. A liberdade parece estar majoritariamente na própria sociedade civil não-empresarial, que se dispos a dialogar na CONFECOM com os demais setores. Walter Ceneviva, que conheci nesta Conferência, deveria exigir de sua entidade associada justamente… liberdade de expressão. Fica a dica.

A sugestão deste razoável pedido de coerência foi feito pelo site da ABRA (http://www.abra.inf.br/contato.php), para o editor do Jornal da Band, Fernando Mitre (fmitre@band.com.br e jornaldaband@band.com.br).

Por Gustavo Barreto

Jornalista, 39, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis clicando aqui). Atualmente é estudante de Psicologia. Acesse o currículo lattes clicando aqui. Acesse também pelo Facebook (fb.com/gustavo.barreto.rio) e Twitter (@gustavobarreto_).

Uma resposta em “Cadê a coerência, senhor Ceneviva”

Fernando Mitre comenta: “Desculpe, Gustavo, mas você não viu a matéria: foi ouvido sim um representante do governo (do ministério). E vamos procurar agora outras pessoas do governo, inclusive a Dilma. Mas, de qualquer forma, obrigado pela crítica.”

Resposta de Gustavo: “Oi Fernando, obrigado pelo esclarecimento, o farei no mesmo espaço. Mas, de qualquer forma, mantem-se o seguinte questionamento: havia o setor da sociedade civil, que não foi ouvido. Indico, por exemplo, o Conselho Federal de Psicologia, a CUT, a entidade Intervozes ou qualquer outra entidade que oficialmente representou a sociedade civil na CONFECOM. A Conferência gerou um documento dos 3 setores. Abraços, Gustavo”

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