Grito de
Alerta (Gonzaguinha)
Primeiro você me azucrina,
me entorta a cabeça
Me bota na boca um gosto
amargo de fel
Depois vem chorando desculpas,
assim meio pedindo
Querendo ganhar um bocado
de mel
Não vê que
então eu me rasgo, engasgo, engulo
Reflito e estendo a mão
E assim nossa vida é
um rio secando
As pedras cortando e eu
vou perguntando: até quando?
São tantas coisinhas
miúdas, roendo, comendo
Arrasando aos poucos com
o nosso ideal
São frases perdidas
num mundo de gritos e gestos
Num jogo de culpa que faz
tanto mal
Não quero a razão
pois eu sei o quanto estou errado
O quanto já fiz destruir
Só sinto no ar o
momento em que o copo está cheio
E que já não
dá mais pra engolir
Veja bem, nosso caso é
uma porta entreaberta
Eu busquei a palavra mais
certa
Vê se entende o meu
grito de alerta
Veja bem, é o amor
agitando meu coração
Há um lado carente
dizendo que sim
E essa vida da gente gritando
que não
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