Eu não ouço a asa
o dia todo em meus ouvidos.
O pensamento! A usina!
Eu não alcanço a asa
a serenidade da asa
o vôo da asa.
Ou a asa do retrato na parede
a asa dos sonhos
a asa dos navios.
Eu nunca penso na asa
com que jamais despertei
nenhuma manhã.
João Cabral de Melo Neto
Consciência.Net