Virginices

  A intuição afina o cielo do violão, acordes e sonâmbules penetrando poros, sorrisos, abraços, língua e ventre. Inseguro, incerto, inepto, yin, olhos, membros e espelhos presos em rosas azuis no dedilhar úmido pós entranhas, gozo, pele, pêlos, dentes, unhas, cobertores azuis, botões de seio e rosas. Ele era certeza sobre vidros verdes em suas órbitas crepusculares, ela era excitação, cheiro e mechas espreguiçando crateras lunares entre espasmos deslizantes. Casal. Casais. Língua-virilha, nariz-umbigo, dentes-seios, lábios-queixo, caralho-ventre, sussurro-urro. Empina, entra. Geme, escorre. Aperta, treme. Lambe, morde. Puxa, arfa. Gotas entre umbigos, dedos entrededos, desfolhando a rosa, mística, áurea, sísmica, lívida. Resumo do amor em gotas, réquiem estendido sobre as pétalas do colchão, gozo, suor, lágrima e, na dor víride, o fel da liberdade impresso em tremulacoxas lunares.

Renato Kress | 18.6.02


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