Sentidos

  O sentido, sexto da quinta pra esquerda assoando deusas silfo-gnômicas entre folhas cintilantes, asas, abraços, linhas, traços, contornos e mini fadas construídas para ela, se perdia assim amiúde nos dentes cheirosos e olhos fechados. As carcaças estavam imóveis, vazias, geológicas, brutas, minerais, as tripas dançavam no ar, se esticavam e perdiam, o delgado parecia alcançar algo, nada. A pele, vaso, veia e mechas, ascendia, esvaziava, jazia. Era agora alma dispersa entre flores amarelas da cidade dourada e os reflexos verdes preenchiam o vazio cáustico, vácuo dialético entre o azul celeste e o vermelho infernal, ausentes. Nus, humanos, desencadeados vidafora universos amarelos desabrocham nas íris cachoeiras verdes. Essência de corpo alma e arredores Nacha Pop deslizando tímpanos e mãos titereiras, mãos assobiantes, aladas unhas nereidas mergulhando oceanos de latência. Aerofagias extasiáticas. 

Renato Kress | 18.6.02


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