| Receita de Tarô
Roda da fortuna. Pensei afetos, sentidos, futuros, plasma e muros. Saiu roda da fortuna. Tarô infernal. Reverte meus avessos, clama pelos defuntos, trás a tonelada vil de uma vida entre braços alheios. Quem disse que eu quero? Não estava mal, sequer ao ponto, estava bem, bem passado. Agora está queimando. Estou flambando cinzas e elas não morrem! Noventa e nove centésimos de insatisfação gélida com 30 tabletes de lâminas dançando na minha aorta preferida, não é que nada chegue ao coração, não, é que vaza mesmo. Vaza hermeticamente fechado. Velhas decrépitas, senhoras, meninas, a roda da vida no caótico giro das unhas de mulheres. Avó louca, mãe carente, mulheres vis... amo todas? Hermeticamente vazo. Renato Kress | 12.6.02
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