Quem me obriga a ser honesto?

  Indiferença = felicidade. Simples assim. Prático, não acha? Pensei aqui com meus botões: a humanidade é lixo. Sério. Antes estudava sociologia, noites e noites em claro, artigos, livros e revistas, pra compreender e mostrar às pessoas como eram alienadas, manipuladas e estorquidas. Hoje? Tô por cima da carne seca, e só. Sem excessos, sem arroubos de bondade, caridade e tal. Todaquele idealzinho, aquele cânone otário básico de todas as formas de “religare pecatorium” que me vêm na cabeça agora. O mundo não presta. Jesus teve um, morreu na cruz. Ridicularizado, morto, e, ainda por cima, um bando de monges recalcados, tendenciosos, cruéis, moribundos e sujos fizeram o favor de reverter e perverter tudo o que o coitado, vítima de Murphy, passou a vida falando. Moral da história: desde quando a história tem moral? Quem disse que eu preciso escrever o que acredito, se não sinto o que poderia crer? Indiferença. Eu beberia, soa mais marqueteiro que solidariedade. “Dá aí um indiferença light, por favor” e no fundo da cena passa um paraplégico sendo trucidado por dois hottweillers - fala verdade, isso vende!

Renato Kress | 10.6.02


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