| O Beijo Triste
Nada como o beijo triste. Lacrimejante pulsação frictícia entre dentes e lábios incertos. Ah, o beijo triste, toda raridade tem sua beleza e toda farsa um glamour mais decadente. O beijo triste é como orvalho numa noite de verão. Sal do luar, poesias negras rasgando a silhueta das nuvens com suas expressões vis, garras apoiando-se entre o peito arfante e o abismo, a poesia flui, etérea e negra, o peito cai, o abismo ri e o tango escorre sobre uma rosa, novamente espinhos. A noite vem dilacerando trêmula com faca cega toda uma camada rubra de esperança na cama vazia. Odores passados, odores, presentes. Unhas, lágrimas e lábios sós. Insistiria a velocidade de um corvo, no cânone intrépido de um equilibrista, a morte, o ódio, a dor. Neste mundo meu, nada como o beijo, triste. Renato Kress | 3.6.02
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