| Não fui
Me chamaram mas não
fui. Apenas estava lá. Não que os pés tivessem me
levado, não! Eu só tava por lá. Sentado. Olhava os
velhos jogando xadrez naquela praça imunda de Copacabana, olhava
as ilhas Cagarras e escrevia umas poesias no Arpoador plantando bananeira
com uns capoeiristas. Talvez a menina que passou por lá me olhando
de cima a baixo saísse comigo e trepasse nessa noite ensolarada.
É. Ela me olhou e trepa comigo. Talvez. Se o sol apagar...
Terceiro milênio
e inda tem gente andando nas ruas. Cadê meus carros voadores? Cadê
meus Jetsons? Tem gente que acha que nem fomos à lua e lê
Julio Verne. Inda tem gente que acha que "Morlocks" não existem.
Vá lá né?
E lá estava
eu de novo. Calçando o tênis com o pé molhado da areia
de Ipanema, ou era Grumari? Grumari... será que fica perto de Mangaratiba?
Sou uma merda em geografia aqui do Rio. Tenho duas primas gatíssimas
em Mangaratiba. A Renata deve estar linda. Da outra vez quase que a gente...
quase. Mas um quase mais quase que a garota do Arpoador. Será que
ela inda não foi embora? Sentou com a amiga loira? Nunca fui muito
chegado a loiras não. E daí? A amiga não me olhou.
Será que ela pediu pra amiga olhar? É sempre uma merda não
saber em quem chegar. Tem duas que olham e você só se liga
em uma, mas como saber qual delas que te quer? O lance dos pássaros
voando e na mão cai como uma luva recheada de bigornas na mente.
Será que adianta se eu for lá e começar a falar? Não
tem como começar a falar sem parecer idiota. Valeu Pessoa, mas não
são exatamente cartas. O amor é ridículo por si só.
Ao menos pra mim. Nunca fui bom nesse lance de: "Oi, e aí? ?Praia
legal né?" ou "Que sol hein?" cada vez que uma frase dessa me passa
pela cabeça eu dou um tiro em mim. Discretamente. Que se o tiro
faz barulho as garotas fogem.
Ih, começou
a nevar. Sabe aqueles pensamentos bola de neve? Tipo desenho animado? Aquelas
sacações, as piadas iguais do Scooby Doo e afins. Por isso
eu gostava do Garfield, era mas original. Porra eu inda gosto, só
não tenho grana pra colocar tevê a cabo mafiosa na minha telinha
emprestada.
Se as calotas polares
derretessem eu daqui poderia ver uma baleia nadando por baixo. Não
seria lindo? Acho que eu morreria. Mas morreria feliz. Que nada. A humanidade
é medrosa. Prefere juntar meio mundo morando no Nepal a ver uma
baleia por baixo. Dá pa entender? No momento eu preferia ver a boceta
da garota por baixo. Com a cabeça entre as coxas dela. Eram bem
grossinhas. E a boceta? Será que é inchadinha, digo mais
gordinha? Sei lá eu gosto quando elas não são magrinhas.
Quando um cara me fala que a Giselle sem-Bündchen é linda e
tal eu fico aqui imaginando essas modelos que de lado desaparecem, com
a bunda caída, com os peitos pendendo, sem colágeno. Cruzes!
Bem, de qualquer
forma, estando a garota ainda por algum lugar do Arpoador, vendo baleias
por baixo, eu lá em Mangaratiba imaginando como seria se entrasse
no banheiro com a Renata, não adiantaria muito.
Inda não achei
as chaves do meu carro voador. Será que tem MacDonald's no Nepal?
Renato Kress
Consciência.Net |