Mundinhos

  Truques para aceitar, olhos nos olhos, pontos finais, obsubjetivos pingando pelas calçadas flamejantes da minha cidade sem avenidas. Não se enganam com preces, fins, repentes e sinfonias. Alimentam-se desejos e pula-se em abismos em cada esquina. Saudações aos que tem coragem, alvos e boa mira, toda cadência mutante de canetas, camisas, projetos, garfos e lençóis – pura seda, algodão... – Caminho calado franzindo testa, nervos e mesquinhezas pequenininhas de olho nos meus habitantes. Meus sete anões, pecados, selos...  insano, carente, mórbido, tarado, ego, autista e escroto. Branca aqui nem a neve, deserto e plágio por todos os lados, deserto de muros espelhados com calçadas flambadas, esquinas-abismo e eu, cetro e manto, enrolado, obeso e infante, montando bananeira tentando plantar portadores, posseiros, possuídos, caim e cavalos.

Renato Kress | 5.7.02


Consciência.Net