E então ele subia ao ônibus com seu gancho e balas de limão, doce de leite, morango, menta e halls:
"Atirei minha pomba branca
pela janela
Estilhacei a vidraça
Seu olhos e a atmosfera
Do seu cálice era
uma bolha
Moída de sangue pintando
os blindex
E as varandas pelo caminho
As vidas dos vizinhos
Pequenas coisas vis e pedantes
Suas alergias, carrinhos
cósmicos
Bilhetes de cinema o seu
gosto amargo
A pomba bateu no carro
Como propaganda do Carlton
Vermelha e branca sobre
o Palio
Do namorado da gostosinha
E hoje eu já não
quero
Mais conhecer meus crimes
lúdicos"
Tirou seu trêsoitão do meio das balas e mirou na fuça de um engravatado ao lado de uma velhinha com vestido florido e foi passeando:
"Senhoras e senhores
Gostaria de oferecer aqui
Meus dados de sete faces
Meu gosto criança
Decepando o Ronald McDonald
Com cd's da América
on-line
Meu cheiro matuto
Chorando ouvindo
Monte Castelo
Vendo as próprias
mãos
É aqui que ofereço
meus sete vícios
A todos os vermes pútridos
Que me lêem e crêem
Em alguma singular
Identificação.
Latência de todos os estados
Nada disso existe, persiste,
insiste
Nada.
Ofereço meus sete
pecados
Meus rasgos e meu ódio
O gosto de matar um homem
por segundo
Ingenuamente seduzir e matar
eu sei o que quero.
quero não ter que
te dar instruções sobre o que fazer comigo.
faça o que achar
melhor.
se achar que deve telefonar,
telefone.
não me jogue suas
cruzes.
faça o que achar
melhor.
quero só as minhas
respostas,
as suas você deve
procurar em outro lugar.
E para você eu não
vendo mais nada.
Dependa de si mesmo para
ser feliz
Não me considere,
não me acredite
Perca seu tempo consigo
mesmo
Thanatos. CAOS.
eu quero seguir a trilha
do medo e torcê-la.
desculpas. ninguém
me deve nada
nem deve tentar dever.
eu? eu ainda quero o eco,
o eco do seco do mundo.
E nós não
amamos.
O que eu tirei de você?
Liberdade?
Tempo?
Felicidade?
Não boçal,
CONTROLE!
O mundo é um paraíso
sim,
Para a piada cósmica
de Deus.
O que acha que eu tenho
pra você?
Letras bic".
Renato Kress | 15.11.02
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