| F. (2)
Há flores na varanda do vizinho, na minha, halteres. Há amor nos abraços dos vizinhos, nos meus, carência. Morde-se lábios como fonte da ausência tentando raspar a alma gêmea brotando da boca minha. Talvez colocá-la num vaso como o do vizinho, esperar... florescer. Todo corpo pesa, a língua lembra lívida tua leveza lírica lambendo, levitando... Não sei das dores do mundo, pouco me importam, tenho um mundo dentro de mim e nele não há, no momento, hemisfério norte. Coração periférico arde mil nadas entre a expectativa e o desejo. Morder lábios não vai adiantar, o gosto ontem, era o teu sangue no beijo, comunhão, nada do que está em mim me fascina. Renato Kress | 9.6.02
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