Estadia

  Dedos esganando a traquéia dela, parede de vidro dele. Encheções e inchações, de saco, asco, tumor no troféu cristalino ostentado com mãos leprosas e ele nem homem, idéia. Ele, esse tempo todo idéia, e, platonismo dos pobres, nem era tão boa idéia, não entende ser imperador do Crowley, nem é tão Thot mais, não pra mim. Gozado eu ser esse mix excêntrico diabo-torre, desgaste de estruturas fálicas que me espelho no avesso dos cristalinos à volta. Pensar em dormir ao lado de caixas “guardanapos de papel” outra com o nome de “John Grisham” – quem é? -, ter namorada no Rio e prometida no Ceará. Divertido mesmo rocambolar filmes atrasados na Blockbuster, viver cético da “anima mundi”, segundo andar com coisas mexidas pela parede de vidro, marionete insossa, sem comentários, metas e submodalidades trancafiadas na indiferença sem lar.

Renato Kress | 19.7.02


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