Demônios e Armários

   Tarde inteira. Rasgos na superficialidade, óculos cor de rosa e pelúcias. Lixo. Sobra tempo em livros, MPB e todo aspecto lírico do mundo tentando seduzir. Lixo. Esperança é o recurso dos fracos e nem rôo mais calendários pelas arestas dos quadros que não pintarei. Lanço pinceladas às trevas, meu Hades particular. Basicamente um “Loft” de fotos sangrando num aposento vermelho, salas de tortura pós-moderna com poemas de Alberto de Oliveira nas paredes. Tudo fede. Meus segredos e demônios estão dançando no armário. Uivam nas crateras da lua, arrastam fios de seda disfarçados de correntes. Quando quero redenção abro o armário, exponho o peito, estrangulo meus segredos e, mãos veias em trêmulas expostas, sento à mesa com meus demônios.

Renato Kress | 25.07.02


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