| Cinema
Paixão. Troca rápida de flúidos numa bomba friccionante sobre as costelas. Frio e suor nas palmas, nas pálpebras das mãos suadas, tocando-se de leve. Filme francês. Boca seca, ávida de palavras. De palavras ávidas por serem caladas. Ávida por beijos. A vida. Por beijos. Selo emudecedor. Entrelaçamento de dedos, pouco. Significa tanto. A mente foge, o instinto avança rangendo dentes, avança lento, tateando escuridão. Prepara o bote e dilacera todas as defesas conscientes. Sangue sobre as travas, sangue sobre as regras, mudas, mortas. Dedos sobre dedos, acariciam. Sem respostas. Sem "sins" sem "nãos". Outra mão: sequer um dedo. Torção, contração, relaxamento. Nada. Não avança. Não foge. Não defende, não ataca. E eu, feliz, incerto, criança, tentando controlar, tentando... eu? Nem mais eu. Num cinema em Botafogo, às três e meia da tarde de uma segunda feira, eu esperança. Renato Kress
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