Madrugada
Do fundo do meu quarto, do fundo

do meu corpo
clandestino
ouço (não vejo) ouço
crescer no osso e no músculo da noite
a noite

a noite ocidental obscenamente acesa
sobre meu país dividido em classes

Ferreira Gullar

(Gullar, Ferreira. Toda poesia (1950-1999). Rio de Janeiro: José Olympio, 2001; 11 edição)


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