Dutra

    A primeira vez não era dia ensolarado no Recife ou noite escura em Petrogrado: ela, sobrevivente, apoiada em meio fio de razão concreta; ele, manco, escorado em muleta ideal.
    A segunda, a terceira e a outra ordinariamente iguais.
    No dia do vendaval, a casa caiu. Faltaram pernas, faltaram braços, faltaram bocas e cabelos e olhos e orelhas e unhas e ânus e sêmen e seios e sol e chuva e chão e cama e nucas e narizes e cheiros e razão e muleta.
    Na seqüência e mais além, extraordinariamente, o mesmo sucedeu.
    O risco da queda é parte do jogo. Do chão ninguém passa.

Carol


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