| Da Tempestade
Um dia
não a quis sua nunca mais, e ela decidiu enlouquecer.
Vestida
de vento, bebeu de outras bocas, sorveu pênis outros, e, cítara,
dedilhada por todos, fez-se então. Foi ela, inclusive, a pirotécnica
insana, a saqueadora das mercearias, a assassina, estupradora do Imperador
e do Cardeal. Pirata, puta, matadora, terrorista, picareta, traficante,
sátira... autômata poetisa, ESTRANGULADA INDIGENTE MORTA NO
CAIS.
E depois,
quando da notícia, de mãos atadas a Caliban, achegou-se nosso
Otelo, vestido de Ariel. Tendo atravessado seu particular Cabo Tormentoso,
resumido a um umbigo, viu naufragar toda a Boa Esperança num crânio
devorado por urubús.
A leste,
lesto, haveria de nascer mais um sol no amanhã;
After
the flood all the colours came out.
Carol
Artes | Literatura
| Carol
Consciência.Net |