Água Forte

O preto no branco
O pente na pele
Pássaro espalmado
No céu quase branco

Em meio do pente
A concha bivalve
Num mar de escarlata:
Concha, rosa ou tâmara?

No escuro recesso
As fontes da vida
A sangrar inúteis
Por duas feridas

Tudo bem oculto
Sob as aparências
Da água-forte simples
De face, de flanco
O preto no branco

Manuel Bandeira


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