| 12 de novembro de 2004:
Há 90 anos, a primavera de 1914 e a invencível tuberculose
levaram, aos 30 anos de idade, o poeta Augusto dos Anjos, bacharel pela
Faculdade de Direito do Recife.
Primavera
Primavera gentil dos meus
amores,
- Arca cerúlea de
ilusões etéreas,
Chova-te o Céu cintilações
sidéreas
E a terra chova no teu seio
flores!
Esplende, Primavera, os teus
fulgores,
Na auréola azul dos
dias teus risonhos,
Tu que sorveste o fel das
minhas dores
E me trouxeste o néctar
dos teus sonhos!
Guerra
Guerra é esforço,
é inquietude, é ânsia, é transporte...
E a dramatização
sangrenta e dura
Da avidez com que o espírito
procura
Ser perfeito, ser máximo,
ser forte.
É a Subconsciência
que se transfigura
Em volição
conflagradora... É a corte
Das raças todas,
que se entrega à morte
Para a felicidade da Criatura!
É a obsessão
do sangue, é o instinto horrendo
De subir, na ordem cósmica,
descendo
A irracionalidade primitiva...
É a Natureza que,
no seu arcano,
Precisa de encharcar-se
em sangue humano
Para mostrar aos homens
que está viva!
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