O minuto
depois
Drummond
Nudez, último véu
da alma
que ainda assim prossegue
absconsa.
A linguagem fértil
do corpo
não a detecta nem
decifra.
Mais além da pele,
dos músculos,
dos nervos, do sangue, dos
ossos,
recusa o íntimo contato,
o casamento floral, o abraço
divinizante da matéria
inebriada para sempre
pela sublime conjunção,
Ai de nós, mendigos
famintos:
Pressentimos só as
migalhas
desse banquete além
das nuvens
contingentes de nossa carne.
E por isso a volúpia
é triste
um minuto depois do êxtase.
Drummond
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