Leituras
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| Função-autor
(Foucault)
Para Michel
Foucault, o que denomina como “função-autor”, dispensada
nos discursos científicos pela sua pertença a um sistema
que lhe confere garantia, permanece nos discursos literários. A
"função-autor" não se constrói simplesmente
atribuindo um texto a um indivíduo com poder criador, mas se constitui
como uma "característica do modo de existência, de circulação
e de funcionamento de alguns discursos no interior de uma sociedade" (Foucault,
1992, pág. 46), ou seja, indica que tal ou qual discurso deve ser
recebido de certa maneira e que deve, numa determinada cultura, receber
um certo estatuto. O que faz de um indivíduo um autor é o
fato de, através de seu nome, delimitarmos, recortarmos e caracterizarmos
os textos que lhes são atribuídos.
FOUCAULT,
Michel. 'O que é um autor?' Vega: Passagens, 1992. Tradução
de Antonio F. Cascais e Edmundo Cordeiro. [http://www.unicamp.br/~hans/mh/autor.html]
Radical chique
e o novo jornalismo
“Se é
que é possível, colunistas sociais são ainda mais
patéticos. Em geral começam cheios de energia, soando como
tremendos homens da rua e narradores, recontando em letra de imprensa todas
as maravilhosas mots e anedotas que vêm babando no almoço
durante os últimos anos. Depois de oito ou dez semanas, porém,
começam a secar. Dá pra ver os coitados escorregando e perdendo
o fôlego. Estão morrendo de sede. Estão sem assunto.
Começam
a escrever sobre coisas engraçadas que aconteceram em casa outro
dia, gracinhas doméstica da cara-metade ou da moça da Avon,
ou algum livro ou artigo fascinante que lhes deu o que pensar, ou alguma
coisa que viram na televisão. Demos graças a Deus pela televisão!
Sem os programas de televisão para canibalizar, metade dessa gente
estaria perdida, totalmente catatônica.
Dentro
em pouco, será quase possível ver o azul tubercular da tela
de 23 polegadas se irradiando da prosa deles. Cada vez que você topar
com um colunista tentando espremer material de sua casa, de artigos, de
livros ou do aparelho de televisão, é sinal de que você
tem uma alma esfaimada em suas mãos... Devia mandar uma cesta básica
para ele...”
WOLFE,
Tom. "Radical chique e o novo jornalismo". Companhia das letras. Citado
por Helana
Gurgel, de Fortaleza (CE).
O escritor
e o jornalista
O jornalista
fere no peito o escritor. O escritor repele o jornalista, por esmagá-lo,
por obrigá-lo a renascer quase sempre de um mesmo patamar. Feliz
daquele que, nesse embate, consegue servir, e bem, aos dois senhores.
Citado
por Ana Rachel Danas, de Fortaleza (CE). In “Jornalismo e literatura: a
sedução da palavra”; organizadores Gustavo de Castro e Alex
Galeno – São Paulo: Escrituras Editora, 2002 - Coleção
Ensaios Transversais.
Barbárie
ou Socialismo?
"Numa
importante nota de rodapé à análise de Luxemburgo,
o teórico marxista do Sri Lanka G.V.S. de Silva apresentou um desenvolvimento
adicional do conceito de barbárie. Ele argumentou que a noção
tradicional marxista dos modos de produção a evoluírem
do capitalismo para o socialismo e o comunismo precisava ser revista.
O capitalismo
não conduz necessariamente ao socialismo ou o socialismo necessariamente
ao comunismo. Ao invés disso, tanto o capitalismo como o socialismo
poderiam degenerar em barbárie, a qual representava uma alternativa
brutal ao comunismo. A barbárie, na concepção de Silva,
devia ser definida como uma sociedade baseada simultaneamente sobre: a
força, o controle ideológico na escala do 1984 de
Orwell, a destruição de todo o poder contrabalançador
de modo a que interesses económicos possam governar directamente
com um Estado mínimo; "consumo induzido de produtos inúteis"
concebidos para distrair a população; e a extrema dominação
da natureza em todos os seus aspectos.
Na falta
de uma mudança revolucionária nas dimensões qualitativas
da economia global e de um fim à exploração capitalista
da natureza, o espectro da barbárie continuaria a assombrar a humanidade.
Assim, de Silva concluiu sinistramente: "A barbárie em um ou dois
países poderosos esmagará o resto da humanidade".
John Bellamy
Foster e Brett Clark. Barbárie
ou socialismo? Resistir.info, outubro de 2004
A Hipocrisia
do Ser
Para que
servem esses píncaros elevados da filosofia, em cima dos quais nenhum
ser humano se pode colocar, e essas regras que excedem a nossa prática
e as nossas forças? Vejo frequentes vezes proporem-nos modelos de
vida que nem quem os propõe nem os seus auditores têm alguma
esperança de seguir ou, o que é pior, desejo de o fazer.
Da mesma
folha de papel onde acabou de escrever uma sentença de condenação
de um adultério, o juiz rasga um pedaço para enviar um bilhetinho
amoroso à mulher de um colega. Aquela com quem acabais de ilicitamente
dar uma cambalhota, pouco depois e na vossa própria presença,
bradará contra uma similar transgressão de uma sua amiga
com mais severidade que o faria Pórcia.
E há
quem condene homens à morte por crimes que nem sequer considera
transgressões. Quando jovem, vi um gentil-homem apresentar ao povo,
com uma mão, versos de notável beleza e licenciosidade, e
com outra, a mais belicosa reforma teológica de que o mundo, de
há muito àquela parte, teve notícia.
Assim
vão os homens. Deixa-se que as leis e os preceitos sigam o seu caminho:
nós tomamos outro, não só por desregramento de costumes,
mas também frequentemente por termos opiniões e juízos
que lhes são contrários.
Michel Eyquem de Montaigne.
'Ensaios
- Da Vaidade'
O Bentinho
é uma bicha
Citado
por Sergio Domingues
O fato é que não
só a Capitu deu pro Escobar como o Bentinho também. Aquilo
eu não inventei. Apenas percebi no livro Dom Casmurro, e selecionei
umas vinte frases de tiradas do livro. O Bentinho é uma bicha. Uma
bicha mesmo, não tenho dúvida nenhuma. Até onde enrustida,
eu não sei. E aí eu me pergunto — uma coisa que eu não
teria atrevimento de afirmar, até porque teria de ser um estudo
biográfico muito profundo — se o Machado também não
é?
Millôr Fernandes, em
entrevista a Paulo Polzonoff Jr. para a revista "Rascunho"
Paulo
Freire e os filhos de Deus
Citado
por Raquel Moraes, educadora da UnB
Quando
Paulo Freire estava no exílio no Chile nos anos 60, ele teve o seguinte
diálogo com alguns camponeses:
"Depois
de alguns momentos de bom debate como um grupo de camponeses o silêncio
caiu sobre nós e nos envolveu a todos. O discurso de um deles foi
o mesmo. A tradução exata do discurso do camponês chileno
que ouvira naquele fim da tarde.
—
Muito bem — disse eu a eles. — Eu sei. Vocês não sabem.
Mas por que eu sei e vocês não sabem?
Aceitando
o seu discurso, preparei o terreno para minha intervenção.
A vivacidade brilhava em todos. De repente a curiosidade se acendeu. A
resposta não tardou.
—
O senhor sabe porque é doutor. Nós, não.
—
Exato, eu sou doutor. Vocês não. Mas, por que eu sou doutor
e vocês não?
—
Porque foi à escola?
—
Porque seu pai pôde mandar o senhor à escola. O nosso, não.
—
E por que os pais de vocês não puderam mandar vocês
à escola?
—
Porque era camponês?
—
É não ter educação, posses, trabalhar de sol
a sol sem direitos, sem esperança de um dia melhor.
—
E porque ao camponês falta tudo isso?
—
Porque Deus quer.
—
E quem é Deus?
—
É o Pai de nós todos.
—
E quem é pai aqui nesta reunião?
Quase
todos de mão para cima, disseram que o eram. Olhando o grupo todo
em silêncio, fixei num deles e lhe perguntei:
—
Quantos filhos você tem?
—
Três.
—
Você seria capaz de sacrificar dois deles, submetendo os a sofrimento
para que o terceiro estudasse, com vida boa no Recife? Você seria
capaz de amar assim?
—
Não.
—
Se você — disse eu —, homem de carne e osso, não é
capaz de fazer uma injustiça dessa, como é possível
entender que Deus o faça? Será mesmo que Deus é o
fazedor dessa coisa?
Um
silêncio diferente, completamente diferente do anterior, um silêncio
no qual algo começava a ser partejado. Em seguida:
—
Não. Não é Deus o fazedor de tudo. É o patrão!
(FREIRE:
2001, pp 49-50)
Balada
L.F.V.
Esta é a balada do Surfista
Dourado
que com a prancha emborcada
e sentado no chão
ainda ontem, na praia, pensou
desolado:
a vida continua depois do verão...
Este ano o seu pai já
lançou um ultimato.
Vai acabar esta sopa, este
doce far niente.
"Vais ter que escolher, senão
eu te mato:
ou voltar a estudar ou pegar
no batente".
E diante deste futuro hediondo
ele teve uma idéia de
engenheiro da NASA.
Ora, pensou, o mundo ainda
é redondo.
e há mais de um jeito
de voltar para casa.
E correu para o mar, e nadou
para o Oriente
e aos gritos de "Volta! Maluco!
Pirado!
Tens que vir pra Porto Alegre
com a gente!"
Respondeu "chego lá,
algum dia, e pelo outro lado!"
[Verissimo, L. F., Balada. In:
Pai
não entende nada. sexta edição, Porto Alegre:
L&PM editores, 1996; pp 76]
Ivan
Junqueira
''Que será o poema?/
uma voz que clama?/ uma luz que emana?/ ou a dor que o algema?''. [O
poema]
''A condição
do ser é não ser término/ mas só início
de outro ser que o nega./ Agora dorme em paz com tua guerra/ e renuncia
para sempre ao credo/ que te faz crer imóvel luz eterna./ - Tudo
é processo. E a vida não repete''. [Segunda das Três
meditações na corda lírica]
Hipostasia
"(...) o velho Wittgenstein
está cada vez mais certo: o que pode ser dito pela linguagem não
pode ser dito na linguagem. A palavra escrita é insuficiente para
abarcar os subtons lunares.
E mesmo a palavra gravada, vulgo
fala, ganha outras tonalidades quando editada, mesmo que sem cortes. Donde
se pode deduzir: não existe imprensa que não cometa hipostasia.
Ou melhor: a hipostasia é
a profissão de fé desse ofício a que se convencionou
chamar de jornalismo. Um escritor pode conceber uma fábula, mas
não penetrar sua moral, notou Kipling."
Claudio Julio Tognolli, no
Observatório
da Imprensa, aqui
Gabinete
mágico
“Em uma
conferência, Emerson diz que uma biblioteca é uma espécie
de gabinete mágico. Nele se encontram, encantados, os melhores espíritos
da humanidade, mas que esperam nossa palavra para sair da sua mudez. Temos
de abrir o livro; aí, eles despertam. Diz Montaigne que podemos
contar com a companhia dos melhores homens que a humanidade produziu, mas
não os buscamos. Preferimos ler comentários, críticas,
e não chegamos ao que dizem.
Fui professor
de literatura inglesa durante 25 anos, na Faculdade de Filosofia e Letras
da Universidade de Buenos Aires. Sempre dizia a meus alunos que procurassem
ler pouca bibliografia, que não lessem críticas, que lessem
diretamente os livros. Entenderiam pouco, talvez, mas sempre usufruiriam
algo e estariam ouvindo a voz de alguém. Eu diria que o mais importante
de um livro é a voz do autor, a voz que chega até nós.”
[Jorge
Luis Borges. O livro. In: BORGES, J.L. Cinco Visões Pessoais.
Tradução de Maria Rosinda Ramos da Silva. – 4. ed. – Brasília:
Editora Universidade de Brasília, 2002]
As
Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino
[Citado
por Jorge Najjar]
"O inferno
dos vivos não é algo que será; se existe, é
aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos
os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não
sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar
o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebe-lo.
A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem
contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno,
não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço".
O
que faz o brasil Brasil?, de Roberto DaMatta
[Citado
por Ana Rachel, Fortaleza, Ceará]
"Onde
quer que haja um brasileiro adulto, existe com ele o Brasil e, no entanto
- tal como acontece com as divindades -, será preciso produzir e
provocar a sua manifestação para que se possa sentir sua
concretude e seu poder. Caso contrário, sua presença é
tão inefável como a do ar que se respira, e dela não
se teria consciência a não ser pela comparação,
pelo contraste e pela percepção de algumas de suas manifestações
mais contundentes.
Os deuses,
conforme sabemos, existem somente para serem vistos em certos momentos
e dentro de certas molduras. O mesmo ocorre com as sociedades. Geralmente,
estamos habituados a tomar conhecimento das sociedades - e, sobretudo,
da nossa sociedade - por meio de suas manifestações mais
oficiais e mais nobres. Tal como ocorre às divindades, que só
são encontradas nas igrejas, também as sociedades só
são normalmente percebidas quando surgem nas suas vozes mais "cultas".
Para os
tradicionalistas, aqueles que têm olhos e não vêem,
os deuses se acham nos sacrários, nas capelas e nos livros sagrados
de reza e devoção. Para os observadores menos imaginativos
e sensíveis, uma sociedade está nas suas ciências,
letras e artes. A visão oficial contradiz a voz, a visão
do povo e, ainda, a experiência da condição humana
que, generosamente, enxerga Deus em toda parte: no rito pomposo e solene
da catedral e na visão tresloucada do místico, nu e faminto
em sua cela de preocupações com o destino dos homens e sobrecarregado
pelo peso fantástico dos múltiplos sentidos desta vida".
DAMATTA,
Roberto. O que faz o brasil Brasil? Pág. 12. Editora Rocco,
Rio de Janeiro, RJ. 1994
Albert
Camus
"Deixo Sísifo no sopé
da montanha (...) é preciso imaginar Sísifo feliz". [O Mito
de Sísifo, pp. 151/2]
Globo
e as Diretas Já
"Durante
o primeiro semestre de 1984, todo o Brasil foi sacudido pela campanha chamada
de ‘diretas-já’, pedindo o imediato restabelecimento das eleições
diretas para a Presidência da República, suprimidas pelo regime
militar imposto em 1964. Num primeiro momento, a Rede Globo de Televisão
– principal veículo de comunicação do país
– foi contra a campanha.
Era seu
direito fixar tal posição. Mas ela ultrapassou claramente
a fronteira entre opinião e informação, ao tentar
fazer passar a seus telespectadores que o primeiro grande comício
pelas diretas-já em São Paulo (25.01.1984) fora apenas uma
manifestação a mais dentro das comemorações
ao aniversário da cidade, que transcorre justamente no dia 25 de
janeiro".
Clóvis Rossi,
Vale a pena ser jornalista? São Paulo: Moderna, 1986, p. 9
Vitor
Hugo.
Os Miseráveis
[Citado
por Ana Rachel, Fortaleza, Ceará]
"Aos que
não sabem, ensinem-lhes o mais que puderem; a sociedade, cujo dever
seria dar educação gratuita aos famintos da ciência,
é a única responsável pelas trevas que produz".
(Vitor
Hugo.
Os Miseráveis. Volume I. Pág. 22. Tradução
de Carlos dos Santos. Círculo do Livro, São Paulo)
Aristóteles
[Citado
por Ana Rachel, Fortaleza, Ceará]
"Por isso
a poesia é algo de mais filosófico e mais sério do
que a história pois refere aquela principalmente o universal, e
esta o particular".
(FREITAS,
Lacyr Anderson. Heidegger e a Origem da Obra de Arte. pág
8. Juiz de Fora, MG. Edições D'Lira, 1993)
Immanuel
Wallerstein
[Citado
por Edison Bittencourt]
"Quais
são os serviços que o capitalista necessita do Estado? O
primeiro e maior serviço que exigem é proteção
contra o mercado livre. O mercado livre é o inimigo mortal da acumulação
de capital. O mercado livre hipotético, tão caro às
elucubrações de economistas, constituído de múltiplos
vendedores e compradores, todos compartilhando perfeita informação,
seria com certeza um desastre capitalista.
Quem conseguiria
ganhar algum dinheiro num mercado assim? O capitalista seria reduzido à
renda do proletário hipotético do século XIX, vivendo
do que se poderia chamar de ‘a lei de ferro dos lucros num mercado livre’,
apenas o suficiente para sobreviver, e mal. Nós sabemos que não
é assim que funciona, pois o mercado real nada tem de livre".
(Immanuel
Wallerstein. O fim do mundo como o concebemos - Ciência
social para o século XXI, Editora Revan, página
97)
Guerra
Civil Espanhola
[Citado
por Ana Rachel, Fortaleza, Ceará]
"Candido
Cabello, chefe da milícia em Toledo, telefonou ao Coronel Moscardó
dizendo-lhe que se não entregasse o Alcázar dentro de dez
minutos, ele, Cabello, matar-lhe-ia o filho, Luis Moscardó, a quem
havia capturado naquela manhã. 'E para que veja que é verdade,
ele próprio vai falar-lhe', acrescentou Candido Cabello. Então
Luís Moscardó disse ao telefone a palavra 'Papai'. 'Que se
passa, meu filho?", perguntou o Coronel. 'Nada', respondeu o filho, 'Eles
dizem que me matarão se o Alcázar não se render'.
'Se for verdade', replicou o Coronel Moscardó, 'encomenda
a tua alma a Deus, grita 'Viva Espanha' e morre como um herói. Adeus,
meu filho, um derradeiro beijo'. 'Adeus, meu pai', respondeu Luis,
'um beijo bem grande'. Candido Cabello voltou ao telefone e o Coronel Moscardó
anunciou-lhe que não precisava de prazo para decidir. 'O Alcázar
jamais se rendará', declarou antes de desligar o telefone. Luis
Moscardó foi morto a 23 de agosto."
A Guerra
Civil Espanhol, por Hugh Thomas, Editora Civilização
Brasileira, 1964, p. 244
Hauteville-House
[Citado
por Ana Rachel, Fortaleza, Ceará]
"Enquanto
existir, fundamentada nas leis e nos costumes, uma condenação
social, que crie artificialmente, em plena civilização, verdadeiros
infernos, ampliando com uma fatalidade humana o destino, que é divino;
enquanto os três problemas deste século, a degradação
do homem no proletariado, o enfraquecimento da mulher pela fome e a atrofia
da criança pela escuridão da noite, não forem resolvidos;
enquanto, em certas regiões, a asfixia social for possível;
em outros termos, e sob um ponto de vista ainda mais abrangente, enquanto
houver sobre a terra ignorância e miséria, os livros da natureza
deste poderão não ser inúteis".
Hauteville-House,
1 de janeiro de 1862. Trecho introdutório do "Os miseráveis",
do Victor Hugo. |
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.
A
Desobediência Civil
"(...)
não me preocupo muito com o governo, e quero dedicar a ele o menor
número possível de reflexões. Mesmo no mundo tal como
é agora, não passos muitos momentos sujeito a um governo.
Se um homem é livre de pensamento, livre para fantasiar, livre de
imaginação, de modo que aquilo que nunca é
lhe parece ser na maior parte do tempo, governantes ou reformadores
insensatos não são capazes de lhe criar impedimentos fatais."
A
Desobediência Civil, de Henry David Thoreau.
O
desejo de viver
Na infância
juramos preferir a morte a perder um braço ou o primeiro amor. Mais
tarde manifestamos a mesma intenção por motivos que julgamos
mais trágicos: a perda de um filho, da liberdade ou das faculdades
mentais. Nesses anos de atividade clinica adquiri a convicção
de que tais intenções manifestadas antes da experiência
vivida são desprovidas de qualquer valor preditivo. O desejo de
viver é instinto tão arraigado que os seres vivos só
se entregam à morte depois de exaurido o último resquício
de suas forças.
Drauzio
Varella, Por um Fio (Cia da Letras, pág. 43)
El
precio a pagar
Por
Albert
Camus. Fragmentos de artículos (1946-1948); citado por Bruno
Ribeiro, de Campinas.
«En
todo caso, es posible responder una vez más a la acusación
de utopía. Para nosotros la cosa es muy simple: tendrá que
ser la utopía o la guerra, tal como nos la están preparando
métodos de pensamiento caducos. El mundo tiene que elegir hoy entre
el pensamiento político anacrónico y el pensamiento utópico.
El pensamiento anacrónico nos está matando. Por desconfiados
que seamos (y que yo sea), el sentido de la realidad nos obliga a volver
a esta utopía relativa. Y cuando haya entrado en la historia, como
muchas otras utopías del mismo género, los hombres no concebirán
otra realidad.»
* *
*
«¿Qué
es la democracia, nacional o internacional? Es una forma de organización
en que la ley está por encima de los gobernantes y esa ley es la
expresión de la voluntad de todos, representada por un cuerpo legislativo.
Estamos en un régimen de dictadura internacional. La única
manera de salir es poner la ley internacional por encima de los gobiernos:
hacer esta ley, disponer de un Parlamento, constituir ese Parlamento por
medio de elecciones mundiales en las que participen todos los pueblos.
Ya que no tenemos ese Parlamento, el único medio es resistir a esta
dictadura internacional en base a un plan internacional y por medios que
no contradigan el fin perseguido.»
* *
*
«¿Qué
sucederá si a pesar de dos o tres guerras, a pesar del sacrificio
de varias generaciones y de ciertos valores, nuestros nietos –suponiendo
que lleguen a existir– no se encuentran más cerca de la sociedad
universal? Sucederá que los sobrevivientes de esta experiencia no
tendrán ni siquiera la fuerza de ser los testigos de su propia agonía.
Entonces, no está mal que los hombres se asignen la tarea de preservar,
a lo largo de la historia apocalíptica que nos espera, la reflexión
modesta que, sin pretender resolverlo todo, servirá en algún
momento para fijar su sentido a la vida cotidiana. Lo esencial es que estos
hombres midan bien el precio que tendrán que pagar.
»Ahora
puedo terminar. Lo que me parece deseable, en este momento, es que en medio
de un mundo homicida uno se decida a reflexionar sobre el homicidio y a
elegir. Si esto pudiera hacerse, nos dividiríamos entre los que
aceptan ser homicidas y los que se niegan con todas sus fuerzas. Ya que
esta terrible división existe, será un progreso, al menos,
hacerla clara. A través de los cinco continentes, y en los próximos
años, va a continuar una lucha interminable entre la violencia y
la prédica. Y es verdad que las posibilidades de la primera son
mil veces superiores a los de esta última. Pero siempre he creído
que, si bien el hombre esperanzado en la condición humana es un
loco, el que desespera de los acontecimientos es un cobarde. Y además
el único honor será el de mantener obstinadamente esta formidable
apuesta que decidirá, en fin, si las palabras son más fuertes
que las balas.»
Princípio
do Pluralismo Regulado
Citado
por Raquel Moraes, educadora da UnB
"Numa tentativa de ir além
da teoria tradicional da livre imprensa e de pensar sobre os marcos referenciais
institucionais mais apropriados para o desenvolvimento dos meios
de comunicação no século XX, defendo o que pode ser
chamado de o princípio do pluralismo regulado. Por "pluralismo
regulado", entendo um marco referencial institucional amplo que tanto poderia
acomodar como assegurar a existência de uma pluralidade de
instituições de mídia independentes nas diferentes
esferas da comunicação de massa. Este princípio requer
duas medidas concretas: a desconcentração dos recursos
nas indústrias da mídia e a separação
das instituições da mídia do poder estatal".
"(...) O caráter transnacional
das formas de transmissão, associado à tecnologia dos satélites,
representa apenas o estágio mais recente, ou talvez o mais dramático,
de um processo de globalização que o desenvolvimento da comunicação
não só promoveu como também refletiu. Se quisermos
tirar o melhor possível das novas oportunidades propiciadas pelo
desenvolvimento das novas tecnologias na esfera da comunicação
de massa, e se quisermos evitar os perigos que o desenvolvimento da comunicação
de massa trouxe com isso, então a implantação do princípio
do pluralismo regulado exigirá um nível de vontade política
e de cooperação internacional que se encontra, na maioria
das vezes, ausente da cena política contemporânea".
(grifo nosso)
John B. Thompson, no livro Ideologia
e Cultura Moderna.Petrópolis, R.J.: Vozes, 1995, p. 30.
Democracia
brasileira, um lamentável mal-entendido
Citado
por Fábio Konder Comparato
“A democracia no Brasil foi
sempre um lamentável mal-entendido. Uma aristocracia rural e semifeudal
importou-a e tratou de acomodá-la, onde fosse possível, aos
seus direitos ou privilégios, os mesmos privilégios que tinham
sido, no Velho Mundo, o alvo da luta da burguesia contra os aristocratas.
E assim puderam incorporar à situação tradicional,
ao menos como fachada ou decoração externa, alguns lemas
que pareciam os mais acertados para a época e eram exaltados nos
livros e discursos”
Sérgio Buarque de Holanda,
Raízes
do Brasil, capítulo VI
Precarização
do Trabalho
Citado
por Raquel Moraes, educadora da UnB
"Fatores
como a escassez dos postos de trabalho e sua precarização
desde o final do século XX impactam a tal ponto nos trabalhadores
que eles têm receio de perder seus empregos, mesmo nos países
capitalistas centrais, gerando, consequentemente, esse excesso de trabalho
que nos relata Madeleine Bunting em seu novo livro. Ademais, os que não
têm emprego fixo também têm esse excesso na sua jornada
de trabalho, pois o mercado informal é também absorvente.
De certa forma, julgo que hoje vivemos tal como no início da industrialização
no século XVIII." Leia mais sobre Madeleine
Bunting
“Bloomsday”
Por Gustavo
Barreto

A definição
é a seguinte: acontecimentos vividos por Leopold Bloom em Dublin,
Irlanda, entre as 8 da manhã de 16 de junho de 1904 e as três
da madrugada do dia seguinte.
Foi a
16 de junho de 1904 que James Joyce conheceu a futura mulher, Nora Barnacle.
A importância dada a este acontecimento foi tanta que o escritor
fez, desta data, o dia no qual seu mais famoso romance “Ulisses” se desenrola.
É
isso aí. Aquele livro de intermináveis páginas se
passa em apenas um dia. Dia 16 de junho. Por causa disso.
Em tempo,
a revista Storm uniu-se ao jornal Público, ambos portugueses,
o pá, e fizeram um dossiê
James Joyce. Está no suplemento do jornal
de Lisboa, o “Mil Folhas”, que destaca:
“Pomposo,
roliço, Buck Mulligan, veio do alto da escada, trazendo uma tigela
com espuma de barbear, na qual se cruzavam, em cima, um espelho e uma navalha.
O roupão amarelo, solto, sustinha-o por detrás, gentilmente,
a brisa suave da manhã. Ergueu a tigela e entoou: - Introibo ad
altare dei”.
O Índio
“Os nossos
tupinambás muito se admiram de os franceses e outros estrangeiros
se darem ao trabalho de ir buscar o seu arabutan (pau-brasil). Uma vez,
um velho perguntou-me:
—
Por
que vindes vós outros, maíras e perós (franceses e
portugueses) buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não
tendes madeira em vossa terra?
Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e
que não a queimávamos, como ele o supunha, mas dela extraíamos
tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seus cordões de
algodão e suas plumas.
Retrucou o velho imediatamente:
—
E
porventura precisais de muito?
—
Sim,
respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem
mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis
imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios
voltam carregados.
—Ah!
Retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas, acrescentando, depois de
bem compreender o que eu lhe dissera:
—
Mas
esse homem tão rico, de que me falas, não morre?
—
Sim,
disse eu, morre como os outros.
Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir, em qualquer
assunto, até o fim. Por isso, perguntou-me de novo:
—
E
quando morrem, para quem fica o que deixam?
—
Para
seus filhos se os têm, respondi; na falta destes, para os irmãos
ou parentes mais próximos.
—
Na
verdade – continuou o velho, que, como vereis, não era nenhum tolo
– agora vejo que vós outros maíras sois grandes loucos, pois
atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando
aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos
ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que
vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais,
mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que, depois da
nossa morte, a terra que nos nutriu também os nutrirá. Por
isso, descansamos sem maiores cuidados.”
Jean
de Lery, Viagem à Terra do Brasil, pp.169-170 In: Eduardo
de Almeida Navarro, Método Moderno de Tupi Antigo, editora
Vozes, pp.238
Num gabinete...
(...) No fundo o meu amigo
tem razão: não custa nada, não é demais
meter um latinório para cima desse povinho todo: se a gente não
faz isso, passa por ignorante e eles só respeitam quem mostra que
sabe mais — Josué Guimarães, Os Tambores Silenciosos,
dia 3, cap.2
Compreensão
total
"Não há um
só efeito na natureza, nem mesmo o menor que existe, de modo
que os teoricos mais hábeis possam chegar sempre a uma compreensão
total. Esta vã presunção de compreender tudo não
pode ter outra base que não seja nunca compreender tudo. Porque
alguém que tenha experimentado uma só vez a compreensão
perfeita de uma só coisa, e tenha verdadeiramente provado como se
chega ao conhecimento, reconheceria que da infinidade de outras verdades
nada compreende". [Trecho do livro O Ensaiador, de Galileu Galilei]
O
cidadão norte-americano
“O cidadão norte-americano
desperta num leito construído segundo padrão originário
do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes
de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas
de algodão, cuja planta se tornou doméstica na Índia;
ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente
Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China." Leia
mais
Lealdade
a meu país
"Sabe, minha classe de
lealdade era uma lealdade a meu país, não a suas instituições
ou seus governantes oficiais. O país é algo real, é
o substancial, o eterno; é algo pelo que vigiar e preocupar-se e
ao que ser leal. As instituições são estranhas, são
meras roupas e as roupas podem ser mudadas, se tornar ásperas, deixar
de ser confortáveis, deixar de proteger aos corpos do inverno, a
enfermidade ou a morte. Ser leal aos trapos, disparar pelos trapos, venerar
aos trapos, morrer pelos trapos, isso é lealdade ao irracional,
é puramente animal. Isto pertence à monarquia, foi inventado
pela monarquia. Deixa que a monarquia os conserve".
[Mark Twain (Samuel Longhorne
Clemens), (1835-1910). Escritor e humorista americano. Novela: Um yankee
de Connecticut na corte do rei Arthur; retirado de: Howard Zinn, Artistas
em tempos de guerra]
Prática
dos prognósticos
"Como
ninguém anota seus erros, tanto mais quanto constituem a norma e
são infinitos, fácil se torna valorizar-lhes as ocasionais
adivinhações, como raras, incríveis, prodigiosas.
Eis por que Diágoras, apelidado o ateu, respondeu a alguém
que lhe mostrava na ilha de Samotrácia um templo no qual se viam
inúmeros ex-votos e quadros comemorativos da autoria de pessoas
que se haviam salvo de naufrágios, e dizia:
- Então?
Você que acredita se desinteressem os deuses das coisas humanas,
que pensa de tantos indivíduos salvos graças a eles?
- É,
mas os que pereceram nada pintaram e são muito mais numerosos -
respondeu Diágoras."
[Michel
de Montaigne: Ensaio dedicado à prática dos prognósticos]
Sobre
as elites
"Elites são elites, tanto
passadas quanto futuras. Por isso é que são elites, ou seja,
grupos incrustados no poder e infensos a abrir mão de seus privilégios".
Carlos Chagas, jornalista brasileiro,
em O Brasil Sem Retoque: 1808-1964 - Volume 1. RJ: Record, 2001,
p. 286.
Rito
da Comunhão
[Enviado
por Daniel Tomaz Gomes da Silva]
"Lá
acontecem coisas que você não vê em nenhum outro
lugar, a valorização do ser humano é a mais interessante.
Todo mundo ali, tem por exemplo, uma bolsa de 30% a 50% para fazer qualquer
curso que agregue valor à carreira.... Nas segundas-feiras de manhã,
em todas as unidades, as pessoas se reunem para o Rito da Comunhão.
Cantamos o hino nacional, fazemos uma oração por uma boa
semana, trocamos idéias, tem gincana, palestra, bate-papo. E todo
mundo, 99% dos fucionários, participa voluntariamente".
REVISTA
INFO EXAME, novembro de 2003, pág. 79. Trecho da entrevista com
o CIO do Magazine Luiza (SP), Luiz Fernando Heise. Servindo de um boa prática
para ser colocada em prática em todo ambiente de trabalho.
Shakespeare
[Citado
por Tereza Cristina, Vitória, Espírito Santo]
"Ninguém
ama alguém que não demonstra o seu amor", de William Shakespeare,
na obra Os dois cavaleiros de Verona.
Reflexões
sobre a arte
[Citado
por Ana Rachel, Fortaleza, Ceará]
"No século
XX, as correntes estéticas que se seguiram ao Impressionismo levaram
ao extremo a convicção de que um objeto artístico
obedece a princípios estruturais que lhe dão o estatuto de
ser construído, e não de ser dado, 'natural'. Matisse, abordado
por uma dama a propósito de um quadro seu com o comentário
'Mas eu nunca vi uma mulher como essa!', replicou, cortante: Madame, isto
não é uma mulher, é uma tela'."
BOSI,
Alfredo. Reflexões sobre a arte. pág 14. Editora Ática.
6 edição. Série Fundamentos. São Paulo, SP.
1999
Hilda
e a Mesóclise
[Citado
por Ana Rachel, Fortaleza, Ceará]
A mesóclise
é como uma cólica no meio do discurso: vem sempre. E não
é só isso, a mesóclise vem e você fica parado
diante dela, pensando nela, besta olhando pra ela. Leva muito tempo pra
gente se recompor. É. Leva muito tempo. Agora, por exemplo, dormi
durante dois dias depois de uma mesóclise. E olhem que foi pouco,
normalmente eu durmo durante dois dias depois de uma mesóclise.
Durmo e quando acordo digo para Ruisis, pelo telefone interno: me corta
o saco se eu usar outra vez a mesóclise. Ela tentou mas eu saí
correndo, fui à casa de seu Nicolino que é ferreiro e sabe
fazer tudo, e ele me arranjou umas placas bojudas de ferro, forradas de
veludo preto, e fiquei a salvo. Ruisis leva tudo a peito. Eu também
levo tudo a peito mas achei que a mesóclise, enfim, não merecia
tanto sacrifício. Apesar de que eu nunca uso o meu saco. Usa-se?
Em que casos usar-se-ia? Bem, não não há nada como
uma mesóclise depois da outra.
HILST,
Hilda. Fluxo-Floema. página 27. Editora Perspectiva. São
Paulo, SP.
Samuel
Langhorne Clemens
[Citado
por Flávio Aguiar, aqui]
(...)
Pois esse escritor escreveu uma "Oração da guerra", quando
da invasão das Filipinas pelos Estados Unidos (1905), que a certa
altura diz o seguinte:
"Oh, Senhor,
nosso Deus, ajudai-nos a rasgar a carne dos soldados inimigos em postas
sangrentas com nossas bombas; ajudai-nos a cobrir seus campos alegres com
as formas pálidas de seus patriotas mortos; permiti-nos abafar o
trovão dos canhões com os feridos retorcendo-se de dor; ajudai-nos
a destruir seus lares humildes com um furacão de fogo; ajudai-nos
a arrancar com dor inútil o coração de viúvas
inocentes; ajudai-nos a deixá-las sem lar a vagar, com trapos, fome
e sede, na companhia dos filhos pequenos, abandonadas pelas ruínas
de sua terra desolada, enfrentando o calor do sol de verão e os
ventos gelados do inverno, o espírito abatido, exaustas de aflição,
implorando a Vós o refúgio da tumba e vê-lo negado...
por nós que Vos adoramos. Senhor, matai suas esperanças,
estiolai suas vidas, prolongai sua amarga peregrinação, tornai
pesados os seus passos, molhai com suas lágrimas o seu caminho,
manchai a branca neve com o sangue de seus pés feridos! Imploramos
a quem é o Espírito do amor, refúgio e amigo fiel
de todos os que sofrem e buscam Sua ajuda com humildade e contrição.
Atendei à nossa prece, oh, Senhor, e Vossas serão a gratidão,
a honra e a glória por todos os séculos dos séculos,
Amém". (*)
Este escritor
também escreveu isso, sobre o símbolo norte-americano mais
conhecido além da bandeira: "Eu me recuso a aceitar que a águia
crave suas garras em outras terras".
Este escritor
é o norte-americano Samuel Langhorne Clemens, nascido na cidade
da Flórida, no Estado de Missouri, em 1835, que se tornou mais conhecido
pelo pseudônimo de Mark Twain.
(*)
Este
texto, assim como outros de grande valia, encontra-se em "Patriotas e traidores:
antiimperialismo, política e crítica social", uma coletânea
de textos do autor de "As aventuras de Tom Sawyer" e o criador de Huckleberry
Finn, publicada neste ano pela Editora Fundação Perseu Abramo.
A tradução é de Paulo Cezar Castanheira e a organização
do volume, as notas, e textos de apresentação são
da professora Maria Sílvia Betti, da Universidade de São
Paulo. Não perca. |
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