A nova chama do Rock Nacional
Paula Gablima, agosto de 2003

Desde os anos 80 não se via uma agitação tão grande em torno das bandas de rock, exceto, claro, as que se renderam ao "popismo" dos grandes sucessos de rádio e programas de auditório. Nada contra vender milhões de discos, o que acaba sendo possível apenas com o excesso de exposição nesse tipo de mídia.

A "novidade" que já tem três discos lançados no mercado e um sucesso pop é a banda carioca Los Hermanos. Os já famosos e com alguns anos de mercado talvez nem poderiam ser chamados de novidade, mas o fenômeno que vêm provocando no cenário da música brasileira é sem dúvida um fato inédito, pelo menos no atual século XXI. A ressuscitação do rock brasileiro de qualidade é sem dúvida mérito desses quatro componentes, capazes de levar seis mil pessoas ao Canecão em dois dias de show, no Rio de Janeiro.

A banda diz não se encaixar em nenhum ritmo musical, afirma que o que fazem é algo tão abstrato que seria impossível definir em uma única palavra. E definitivamente não é só com o ritmo que podem caracterizar-se de abstratos, diante de uma platéia imensa subiram ao palco e, antes de mais nada, deram um boa noite aos presentes, e só cantaram a música de trabalho depois de duas inéditas.

O público se mostrou mais do que fiel à banda e em coro cantaram todas as músicas do recém lançado CD Ventura. O sucesso pop, Ana Júlia, do disco passado que vendeu 250 mil cópias, no entanto, ficou de fora e a platéia parece não ter sentido falta. Os hermanos provaram que além de não gostarem de serem definidos vieram aqui para fazer rock, um novo estilo de rock, mas de qualidade e sem os efeitos pop.

O fato é que a música brasileira pode estar mais uma vez em mutação, num cenário de bundalização e letras vazias. E torcemos, nós brasileiros e crentes num país mais culturalmente consciente, que o rock já chamado de brasileiro possa se ver como música de qualidade.

Paula Gablima [paulagablima@bol.com.br]


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