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Ai de quem aos ditames do sistema, abre mão das riquezas do País.

Ai de quem aos ditames do sistema, abre mão das riquezas do País.

Ao Mercado cedendo suas rédeas

A que segue o petróleo, em sua rota

Muito sangue de sua trilha brota

A estrutura estatal sendo intermédia

No Brasil e no mundo, é uma tragédia

Não impondo mais freio aos lucros vis

Tudo quanto o Mercado sempre quis

Burguesia, solita, o barco rema

Ai de quem aos ditames do sistema

Abre mão das riquezas do País.

 

No contexto do mundo industrial

O petróleo é fonte de cobiça

Concorrência infernal demais atiça

Seus produtos agregam capital

Suas reservas tornando alvo central

É da gula do Império, um chamariz

Induzindo a estratégias mais sutis

Mas, em última instância, a guerra extrema

Ai de quem aos ditames do sistema

Abre mão das riquezas do País.

 

Do Ocidente, a ganância belicosa

Extremou a cobiça do petróleo

E seus álibis de ataque jamais acolho

É em vão apostar em sua prosa

Privilégio na ONU ainda goza

A estrutura do órgão é a raiz

Privilégio do veto não condiz

Com o direito de todos, sem dilema

Ai de quem aos ditames do sistema

Abre mão das riquezas do País.

 

Gigantescas reservas tem o Pré-Sal

Mesmo quem com os fósseis não se afina

Óleo, gás, derivados, gasolina

Reconhece que é um bem essencial

É riqueza importante, e como tal

Olho grande desperta nos coviz

O pré-sal está do golpe na raiz

Uma política entreguista vira edema

Ai de quem aos ditames do sistema

Abre mão das riquezas do País.

 

Desde aí, um complô, surge, se monta

Com o fim de quebrar a Petrobrás

Lava-jato sendo muito perspicaz

Por punir corrupção – casos sem conta

Pune chefes, também empresas afronta

Dallagnol – Sérgio Moro – atores vis

Ao império se rendem, são servis

Da justiça ao “Lawfair” então se rema

Ai de quem aos ditames do sistema

Abre mão das riquezas do País.

 

Em conluio com a mídia comercial

Os “partidos da ordem” entram em cena

Destilando ódio, que envenena

Alinhados a Trump, ao Capital

Vão tecendo golpe estrutural

Do sistema erodindo a raiz

Se dispensam de atos mais sutis

Tudo fazem que a Justiça aí se esprema

Ai de quem aos ditames do sistema

Abre mão das riquezas do País.

 

Dilma fora, entra Temer, o traíra

Petrobrás vira empresa “estrangeira”

Sua política em baixo da ladeira

Do Brasil as riquezas sob a mira

Ao controle do Império, tudo vira

O Pré-Sal se esquarteja sem diretriz

E a última palavra, o Império diz

E, colônia, Brasil cede ao esquema

Ai de quem aos ditames do sistema

Abre mão das riquezas do País.

 

No tocante ao episódio mais recente

Bolsonaro indicando um militar

A chefia da empresa a ocupar

Tem a ver com o perfil do Presidente

Ditador autocrata,  prepotente

Pouco a ver com a sorte de nossa gente

Liberais se dão bem com tais perfis

Vinte e dois foi o seu alvo: ele quer bis

Petrobrás: solução, não é  problema

Ai de quem aos ditames do sistema

Abre mão das riquezas do País.

 

Se a Empresa ‘inda fosse integrada

desde o poço ao posto, sob seu comando

extraindo, vendendo, refinando

exitosa seria sua empreitada

Da política de preços empoderada

Liberais cedem toda a diretriz

E a ele se sujeitam, são servis

Sucumbindo ao seu estratagema

Ai de quem aos ditames do sistema

Abre mão das riquezas do País.

 

João Pessoa, 23 de fevereiro de 2021

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