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Age em rede o Império, mundo afora, combatê-lo requer agir em malha

Age em rede o Império, mundo afora

Combatê-lo requer agir em malha

 

Diferente de modos mais antigos

Capital reproduz-se em larga escala

E seu olho guloso se arregala

Exaurindo os locais, busca outro abrigo

Passa, então, a fazer mais inimigos

Não hesita em passar sua navalha

Não importam os meios de que valha

Preferindo o engodo, a força explora

Age em rede o império, mundo afora

Combatê-lo requer agir em malha

 

Esta malha é composta de mil fios

Recobrindo dezenas de esferas

Umas menos, outras mais, conforme a era

Evitando operar só no vazio

No trabalho, saúde e no plantio

Consentindo para as massas as migalhas

Para si, as riquezas amealha

Destruindo o comum: a fauna, flora

Age em rede o império, mundo afora

Combatê-lo requer agir em malha

 

Territórios, indústrias, subsolo

O comércio, os serviços, as finanças

E com leis pros “de baixo” nada mansas

E ao povo, a mídia faz de tolo

Algum pão e com circo, dá consolo

Ao mais pobre enganando, com sandália

A justiça seus crimes agasalha

Eleições são fraudadas, sem demora

Age em rede o império, mundo afora

Combatê-lo requer agir em malha

 

Tantos fios, desfia o Capital

Os de gênero, idade e etnia

Para a engorda de seus bens, tudo angaria

Tudo mostra sua sede de mais-valia

Tem por Deus a Mamon, ser infernal

Na mentira, aposta, raiz do mal

Religião passa a ser sua medalha

Sua força é maior, mas estraçalha

Braço forte, em igrejas mais ancora

Age em rede o império, mundo afora

Combatê-lo requer agir em malha

A imagem de Trump correu o mundo

Sustentando uma Bíblia, embusteiro

De cristão se fazendo conselheiro

Traidor do Evangelho, um furibundo

Mero golpe eleitoreiro, tão imundo

Mercadores da fé, fogo de palha

Pretendendo dos outros rever as falhas

A si mesmo, é o único a quem adora

Age em rede o império, mundo afora

Combatê-lo requer agir em malha

 

Não são poucos os grupos pentecostais

Na igreja católica, inclusive

Que a fé de Jesus põe em declive

Desatentos do Reino aos sinais

A seus próprios interesses seguem mais

Caso possam, põem o mundo na fornalha

Cada qual se julgando não ter falha

Seu agir o sistema revigora

Age em rede o império, mundo afora

Combatê-lo requer agir em malha

 

Junto a quem “fake news” estragos faz

Eis por que formação não chega perto

Sendo a crítica pra estes algo incerto

Tal efeito, porém, não vinga mais

Quem da crítica procura ir atrás

Das gestões o discurso não agasalha

Analisa seus frutos, vê suas falhas

Forma grupos, bons livros bem devora

Age em rede o império, mundo afora

Combatê-lo requer agir em malha

Mirar fatos, e não verborragia

In “operibus crédite, non verbis”

Segue adiante, sereno, não te assoberbes

É feliz quem os fatos avalia

A verdade buscando, com alegria

Os exemplos são prova, palavra é falha

Com retórica fácil não se atrapalha

Com discurso mendaz, o rei devora

Age em rede o império, mundo afora

Combatê-lo requer agir em malha

 

Formação libertária popular

Rumo firme também é nossa via

Eis a meta que luta irradia

Nos embates de um mundo a transformar

Auto-crítica mantendo-se exemplar

Como ferro testado na fornalha

Horizonte se segue, não se atalha

Consciência de classe se aprimora

Age em rede o império, mundo afora

Combatê-lo requer agir em malha

 

Formação deste tipo não se faz

Tão somente em espaços escolares

Recorrer é preciso a outros lugares

Sobretudo movimentos sociais

E mais outras instâncias não formais

Militância se forja nas batalhas

Consciência mais forte se amealha

A conquista ou o revés se rememora

Age em rede o império, mundo afora

Combatê-lo requer agir em malha

 

Global não é algo em abstrato

Comportando uma rede de locais

Minha aldeia expressa mais sinais

Nos humanos ecoa um certo impacto

Que o gemido do outro não passe intacto

Até mesmo eleições difundem falhas

Estratégia do centro, que se espalha

Produzindo desfecho que vigora

Age em rede o império, mundo afora

Combatê-lo requer agir em malha

 

Num de seus conhecidos “papos retos”

Ex-pastor Constantine assinalava

Em sua voz cristalina, firme, brava

Mas que ao ensino formal, deve o alfabeto

A sua luta à favela, viver concreto

O ensino formal nos dá migalha

Consciência de classe é que amealha

No combate ao sistema, que devora

Age em rede o império, mundo afora

Combatê-lo requer agir em malha

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