Adalberto Barreto: Terapia Comunitária Integrativa

abarretA Terapia Comunitária Integrativa é um instrumento que nos permite construir redes sociais solidárias de promoção da vida e mobilizar os recursos e as competências dos indivíduos, das famílias e das comunidades. Procura suscitar a dimensão terapêutica do próprio grupo valorizando a herança cultural dos nossos antepassados indígenas, africanos, europeus e orientais, bem como o saber produzido pela experiência de vida de cada um.

Enquanto muitos modelos centram suas atenções na patologia, nas relações individuais, privadas, a Terapia Comunitária Integrativa se propõe cuidar da saúde comunitária em muitos espaços, principalmente os espaços públicos. Propõe-se a valorizar a prevenção. Prevenir é, sobretudo, estimular o grupo a usar sua criatividade e construir seu presente e seu futuro a partir de seus próprios recursos.

A Terapia Comunitária Integrativa nos convida a uma mudança de olhar, de enfoque. Como:

1. Ir além do unitário para atingir o comunitário. Com a globalização, surgiram novos desafios: drogas, estresse, violência, conflitos, insegurança, e a superação desses problemas já não pode ser mais obra exclusiva de um indivíduo, de um especialista, de um líder, e sim da coletividade.

2. Sair da dependência para a autonomia e a co-responsabilidade: modelos que geram dependência são entraves a todo desenvolvimento pessoal e comunitário. Estimular a autonomia é uma forma de estimular o crescimento pessoal e o desenvolvimento familiar e comunitário.

3. Ver além da carência para ressaltar a competência: o sofrimento vivenciado é uma grande fonte geradora de competência, que precisa ser valorizado e resgatado na própria comunidade, como uma forma de reconhecer o saber construído pela vida. Poder mobilizá-los no sentido da promoção de vínculos solidários é uma forma de consolidar a rede de apoio aos que vivem situações de conflitos e sofrimento psíquico.

4. Sair da verticalidade das relações para a horizontalidade. Esta circularidade deve permitir acolher, reconhecer e dar o suporte necessário a quem vive situações de sofrimento. Isso proporciona maior humanização das relações.

5. Da descrença na capacidade do outro para acreditar no potencial de cada um. O aprender coletivamente gera uma dinâmica de inclusão e empoderamento.

6. Ir além do privado para o público: A reflexão dos problemas sociais que atingem os indivíduos sai do campo privado para a partilha pública, coletiva, comunitária. A ênfase no trabalho de grupo, para que juntos partilhem problemas e soluções e possam funcionar como escudo protetor para os mais vulneráveis, são instrumentos de agregação e inserção social.

7. Romper com o isolamento entre o “saber científico” e o “saber popular”, fazendo um esforço no sentido de se exigir um respeito mútuo entre as duas formas de saber, numa perspectiva complementar, sem rupturas com a tradição e sem negar as contribuições da ciência moderna.

REFERÊNCIA COMUNITÁRIA

Para melhor entendimento da Terapia Comunitária Integrativa, pinçamos algumas informações da página de abertura do site da ABRATECOM Associação Brasileira de Terapia Comunitária (www.abratecom.org.br) em 25-06-2008 sob o título de: TERAPIA COMUNITÁRIA: ENTRE NESTA RODA (visitem e leiam que vale a pena) e alguns dados atualizamos com os números fornecidos por Dr. Adalberto no evento realizado pelo Instituto SER.

“A Terapia Comunitária Integrativa nasceu no Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da UFC. Há 21 anos, este modelo tem sido desenvolvido pelo prof.dr. Adalberto Barreto da UFC. Já foram formados pela Universidade Federal do Ceará, cerca de 12.000 terapeutas comunitários atuando em 23 estados brasileiros.

A Terapia Comunitária Integrativa é um instrumento que nos permite construir redes sociais solidárias de promoção da vida e mobilizar os recursos e as competências dos indivíduos, das famílias e das comunidades. Procura suscitar a dimensão terapêutica do próprio grupo valorizando a herança cultural dos nossos antepassados indígenas, africanos, europeus e orientais, bem como o saber produzido pela experiência de vida de cada um.

Enquanto muitos modelos centram suas atenções na patologia, nas relações individuais, privadas, a Terapia Comunitária Integrativa se propõe cuidar da saúde comunitária em espaços públicos. Propõe-se a valorizar a prevenção. Prevenir é, sobretudo, estimular o grupo a usar sua criatividade e construir seu presente e seu futuro a partir de seus próprios recursos.”

Ainda no mesmo artigo…

“A Terapia Comunitária Integrativa nos convida a uma mudança de olhar, de enfoque, sem querer desqualificar as contribuições de outras abordagens, mas ampliar seu ângulo de ação. Vejamos, entre outros:

Ver além da carência para ressaltar a competência: o sofrimento vivenciado é uma grande fonte geradora de competência, que precisa ser valorizado e resgatado na própria comunidade, como uma forma de reconhecer o saber construído pela vida. Poder mobilizá-los no sentido da promoção de vínculos solidários é uma forma de consolidar a rede de apoio aos que vivem situações de conflitos e sofrimento psíquico.

Da descrença na capacidade do outro para acreditar no potencial de cada um. O aprender coletivamente gera uma dinâmica de inclusão e empoderamento. Precisamos deixar de apenas pedir a adesão do outro às nossas propostas, para podermos estar a serviço das competências dos outros, sem negarmos a contribuição da ciência.”

Fonte: Instituto SER

18 comentários sobre “Adalberto Barreto: Terapia Comunitária Integrativa”

  1. ¡Gracias! por el artículo de Adalberto, es una buena motivación para participar en el Congreso.
    La Terapia Comunitaria Integrativa es una metodología apropiadísima
    para quienes intentamos servir en equipo a los sectores más bulnerables antes de que sea demasiado tarde. Garantiza la educación integral comunitaria, en el caso de nosotros los educadores.
    Nos encontraremos con mucho gusto en el VII Congreso.

  2. Ola!

    Sou Coordenador de um Projeto Horta Comunitária na Cidade de Joinville SC no Bairro Costa e Silva, projeto este que ocupa uma área de quase 14 mil metros quadrados ( are pública ), participam atualmente 50 famílias e temos algumas em fila de espera para ingressar.
    Estive lendo este artigo e achei muito interessante devido a estarmos justamente trabalhando este tema em nossa comunidade. Em 2001 iniciamos o projeto no bairro em um espaço público, área esta que estava ociosa e diante disso solicitamos a implantação de uma Horta Comunitária, levamos a ideia aos órgãos competentes e a partir dai foi só colocar a mão na massa e até hoje após 12 anos o projeto vem funcionando muito bem e conforme descrito no artigo temos notado essa melhora na qualidade de vida das pessoas que fazem parte do projeto. Acho que temos muito a melhorar, embora temos muito a trabalhar o lado “coletividade” para que as pessoas ao fazerem algo em prol do próximo, isso traz benéficas a si também. Hoje em dia tudo parece ser tão individualizado e trabalhar a coletividade, mostrando que se pode alcançar resultados mais positivos a todos através de esforços compartilhados não é uma tarefa tão fácil. Com tudo nosso projeto vai muito bem e até se tornou referência na região onde atendemos aproximadamente mais de 400 alunos ano através de visitações a este espaço o qual também vem sendo utilizado para a elaboração de trabalhos acadêmicos de Faculdade e Universidade, entre outros. Esse ano começamos atender a grupo de pessoas da 3ª idade mostrando que se pode fazer muito ainda mesmo que a idade esteja um tanto avançada, objetivo da visitação é compartilhar essa experiência para que possam quem sabe aplicar em suas comunidade esse trabalho como uma terapia alternativa na ocupação do tempo ocioso e na manutenção de uma qualidade de vida mais saudável estando inserido no contexto do convívio comunitário onde moram.

  3. Boa noite. Tive o prazer e a honra de me formar como Terapeuta Comunitária com Adalberto Barreto e por quatro anos participar de grupos em unidade de saúde. Hoje tenho a oportunidade de estar elaborando meu TCC em Graduação de Enfermagem com o Tema: Os benefícios da Terapia Comunitária para Idosos. Um abraço

  4. Olá,!
    Tenho 54 anos e tenho vontade de encontrar pessoas parz conversar, discutir idéias realizar e desfrutar de bons momentos junto com pessoas da comunidade.
    Obdigada

  5. estou adorando essa terapia feita pelo SUS aqui no Catete. Pelo saí desses conceitos de análise e psicanalise cobrada e comunitária, participamos até de debates dos temas que escolhemos.

  6. Boa tarde ?
    Sou estudante de psicologia e gostaria de conhecer esta terapia inovadora. Descobrir na internet e quero inserir este conhecimento a minha formação. Faço parte de uma organização do terceiro setor e tenho certeza que este conhecimento será enriquecedor.
    Essa instituição existe em Salvador na Bahia? Onde estão localizados. Tem previsão de cursos?
    Muito obrigada, estarei no aguardo

  7. Gostaria de me envolver, não consegui prosseguir em estudo, estive cursando Psicologia na Unidade, São Paulo, onde tem o curso, é de preço acessível, tem gratuito?

  8. Olá, bom dia!

    Sou Psicólogo e trabalho em comunidades desde desde 2008, atualmente trabalho em uma ONG, e sou voluntário em outras duas.
    Moro em São Paulo-SP, é gostaria muito de fazer a capacitação, como faço?

  9. Moro no estado de São Paulo, mas participo de um grupo de TCI formado em Pernambuco, Recife, desde março deste ano. Recebi um convite e entrei, sem saber do que se tratava. Hoje estou inteiramente integrada e adorando.

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