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Abre as Asas sobre mim, Senhora Liberdade!

Em suma, o samba urbano carioca, foi adaptado após a proibição, resistência, luta e conquista de liberdade de ação, e que virou modelo no país, é fruto de uma conjugação, um rol de fatores negativos e principalmente positivos, que resultaram na consequente simbolização do samba urbano como caráter e identidade da cultura nacional.

Foto: Reprodução CartaCapital.
Foto: Reprodução CartaCapital.

O samba urbano do Rio de Janeiro é um resultado histórico da miscigenação das manifestações afrodescendentes, europeu descendentes e ameríndios no Brasil. Essa é uma parte específica do aspecto geral da história da civilização brasileira enquanto relação de controle do estado sobre as manifestações culturais populares. Mais amiúde, o samba tal como é hoje, deve ser encarado como uma conquista individual e coletiva, entre idas e vindas, criminalização após a abolição da escravidão, a descriminalização no governo Vargas, e a organização legitimada até com a glamourização. Da parte individual, aparecem como personagens centrais as figuras de Hilário Honorato com suas invenções, partindo do entrudo e das grandes sociedades para os ranchos, rancho-bloco, e bloco de sujo; as tias Ciata e suas amigas religiosas e festeiras com seus quintais terreirões na “pequena África” do centro do Rio (Simas-2010); Ismael Silva e a criação do nome Escola de Samba; Cartola e sua influência de maneirismo do “samba duro” de navalha e capoeira para a adaptação do samba de quadra e asfalto; além de Paulo da Portela e Natal na fundação das escolas de samba de subúrbio para a completa popularização e chamamento de identidade nacional no samba na passagem para o lado social, quando ocorre a sua legitimação política. Finalmente, sugere-se que há uma possível generalização ligada ao comportamento humano quando acontece alguma forma socializada, com efetiva aprovação social. Se proibir-se esse tipo de comportamento social, o homem resiste, buscando a sua liberação. Assim aconteceu com o samba. Houve resistência e luta no sentido da adaptação da sociedade até a conquista do direito de liberdade de tal conduta.

  1. Como Introdução destaca-se que historicamente, o samba já foi muitas vezes analisado, mas muito pouco foi estudado em termos legais. A umbigada de roda do interior da Bahia, que era acompanhada da melodia batucada nas festas da colheita agrícola era uma popular forma jocosa para a festa sem luxo. Essa festa migrou para o Rio de Janeiro e esteve proibida logo após a abolição da escravidão. Então, o objetivo de análise mais interessante está na análise legal do fato de resistência dessa prática individual e coletivamente.
  2. Como nota metodológica sobre as fontes, se destaca uma preferência por autores que mergulharam profundamente na alma, âmago, essência e natureza do assunto tratado. Além disso, os dados estatísticos são primeiro retirados de fontes e autores primários, e depois os completando com comentários e ou formando e criando novos quadros e tabelas de autonomia para entendimento da evolução histórica.
  3. Enquanto abordagem teórica, conforme Simas (2010) e Neto (2017), destaca-se os capítulos marcos históricos, primeiramente, em pré-condições culturais; segundo – a criminalização e resistência pós abolição da escravidão em 1988; terceiro – os movimentos de maneirização e adaptação até os anos 40; e finalmente o apoio legal e financeiro do Estado na era de legitimação disso que é a “identidade nacional” dessa popular manifestação cultural em todas as classes e raças do país.

Em suma, o samba urbano carioca, foi adaptado após a proibição, resistência, luta e conquista de liberdade de ação, e que virou modelo no país, é fruto de uma conjugação, um rol de fatores negativos e principalmente positivos, que resultaram na consequente simbolização do samba urbano como caráter e identidade da cultura nacional. Uma rede individual de ressonância coletiva (Foucault-1979). Atuou de forma a progredir e culminar na atual liberdade de ação de seus participantes com apoio mútuo da sociedade.
Os fatores sociais de estimulação do avivamento cultural de miscigenação no Brasil é um assunto de complexa determinação. O fator mais importante seria como entender se foi mais importante a proibição da lei ou foi o regozijo da colheita, que causou a beleza da melodia e a resistência individual e social em rede. É algo que está ligado a todas as culturas (Luiz Machado, 1991). Através da EMOTOLOGIA, coligando emoção e inteligência se sugere existir algo de profunda influência no comportamento humano. Assim, interpretamos como que o samba teria gerado um sentimento coletivo de participação social. É algo lúdico de raízes sociais, algo típico de natureza humana. Quando retirado o direito por lei, se passou a lutar por esse direito, que já teria passado a ser criminalizado até que se tornasse uma conquista de toda a sociedade, individual e coletivamente.
(*) Durval Pereira Gomes Peçanha é estudante de Direito/Universidade Estácio de Sá, Orientação Mestre Marcelo Santana.

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