A remoção dos moradores do Morro do Urubu para Realengo

Momento em que chegou a retroescavadeira para realizar a primeira remoção no Morro do Urubu. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.
Momento em que chegou a retroescavadeira para realizar a primeira remoção no Morro do Urubu, em Pilares, zona norte do Rio. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

Após a declaração do prefeito Eduardo Paes de que 8 favelas serão removidas no Rio,  a demolição das casas apontadas como em áreas de risco teve início no começo desta semana (12/03). O trabalho começou no Morro do Urubu, em Pilares, na zona norte da cidade, onde foram usadas picaretas e retroescavadeiras para demolir as moradias. Um caminhão da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) está ajudando na mudança dos moradores, mas não tem condições de atender a todos.
Três pontos foram afetados pelo temporal no Complexo dos Urubus, e em um deles, no topo da Vila dos Mineiros, três casas vieram abaixo. Não houve feridos nem mortos na comunidade, mas duas creches estão interditadas, por medida de segurança, em áreas que foram atendidas pelo projeto Favela-Bairro. De acordo com a Defesa Civil que estava no local, ainda não está confirmada a demolição das creches, construídas há 12 anos atrás: todas as casas serão destruídas ao redor, e ao final será realizado um diagnóstico técnico sobre a possibilidade de reutilização dos estabelecimentos, afirmaram. As casas que serão removidas na Vila dos Mineiros, onde pedras rolaram do topo da comunidade, estão embaixo de pedreiras que tiveram obras de contenção de encostas também no Favela Bairro. A área demolida, segundo a prefeitura, será reflorestada e feito um trabalho de drenagem no local.
Moradores levando seus pertences que sobraram depois do temporal na cidade. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.
Moradores levando seus pertences que sobraram depois do temporal na cidade. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

Segundo o subprefeito André Santos, que estava no local e monitora a zona norte da cidade, 250 famílias serão realocadas no Complexo do Urubu. A prefeitura está encaminhando os moradores para o Clube Centro Comercial e Indústria de Pilares (CCIP), onde há 30 famílias abrigadas. No entanto, moradores se queixam pelas condições do local, pois ficam todos amontoados dentro de um galpão. Outros moradores estão em casas de amigos e parentes.
André Santos disse que até o final da semana o cheque do aluguel social estará disponível, no valor de R$ 400 mensais. A previsão é que o auxílio seja pago por um período de três meses a um ano, e depois os moradores serão realocados nos apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida, em Realengo, subúrbio do Rio. Alguns moradores estão com receio da mudança – o conjunto fica a cerca de 20 km da comunidade – pois o Morro do Urubu é próximo a estabelecimentos comerciais, escolas e do hospital Salgado Filho, um dos mais importantes do Rio.
Algumas casas estão cheias de água, que desce dos barrancos. Jorge Barros, morador do Morro do Urubu, mostrou o quintal alagado onde fez uma obra de contenção que custou R$ 5 mil. As residências foram construídas em terrenos sobre lençóis freáticos e há muitas nascentes nos morros, contaram os moradores. Outros relataram a dificuldade para conseguir alugar uma casa na região, pois além do aumento do preço por causa da procura, há o preconceito com os moradores da favela.
“A prefeitura disse que vai dar ajuda para a gente, mas ainda não deu. Nós não temos aonde ir nem botar as nossas coisas. Eu fui procurar casas ali embaixo e ninguém quer alugar porque pensa que a gente não tem condições de pagar e não acredita na promessa do governo”, criticou Sandra Maria, que mora na comunidade há mais de 50 anos.
pres_associacaoO presidente da Associação de Moradores, Edson Baiga, disse que há casos do valor do aluguel na região ter subido de R$ 250 para R$ 600. E ele também reforçou o fato de que os trechos interditados abrangem uma região atendida pelo Projeto Favela-Bairro, em 1998. “Essa parte afetada foi atendida pelo Favela-Bairro em 1998, no governo [Luiz Paulo] Conde, é uma obra nova e nunca teve manutenção. Isso é um desperdício do dinheiro público, está tudo deteriorado, fizeram um pseudo saneamento e hoje a água está descendo e tem esgoto em todo lado”, criticou Baiga.
Prefeito leva moradores do Urubu para conhecer o conjunto em Realengo
Na entrada do condomínio, em Realengo, uma rachadura sendo remendada no dia da apresentação dos apartamentos. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.
Na entrada do condomínio, em Realengo, uma rachadura sendo remendada no dia da apresentação dos apartamentos. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

Alguns dos 250 moradores que serão realocados do Morro do Urubu para Realengo visitaram nessa manhã (15/04), com a presença do prefeito Eduardo Paes, os condomínios habitacionais onde vão morar. Trata-se do projeto Minha Casa, Minha Vida, que, com o aval do presidente Lula, as moradias que seriam destinadas ao Programa de Arrendamento Residencial (PAR) serão disponibilizadas em emergência aos desabrigados das remoções em áreas de risco.
Os apartamentos, que ficam no subúrbio de Realengo, a cerca de 20 quilômetros de onde moravam, estão sendo articulados por meio do Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal, junto a Prefeitura do Rio, e os moradores do Urubu não vão pagar pela moradia. São dois condomínios com 299 apartamentos em cada, dois quartos em cada unidade, e com uma área de lazer e um salão de festas. Os poucos moradores presentes, demonstraram-se satisfeitos com o apartamento, que aparenta ter mais espaço do que os construídos em Manguinhos.
“Cada apartamento tem um custo de R$ 6.000. Com o programa Minha Casa, Minha Vida, cada unidade sai a R$ 50 por mês, num total de 120 meses. Inicialmente, vamos habitar apenas 250 unidades com as famílias do morro do Urubu”, afirmou o secretário municipal de Habitação do Rio, Pierre Batista.
Prefeito Eduardo Paes chegando com os moradores do Urubu no conjunto do projeto de habitação Minha Casa, Minha Vida. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.
Prefeito Eduardo Paes chegando com os moradores do Urubu no conjunto do projeto de habitação Minha Casa, Minha Vida. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

“Ontem fui para Brasília fechar um pouco da burocracia. A Caixa e o Ministério das Cidades estão super ágeis. Estas unidades estão praticamente prontas, falta uma limpeza e um acabamento, vamos entregar o mais rápido possível, até a semana que vem a gente consegue estar com as pessoas morando aqui”, afirmou o prefeito Eduardo Paes.
No primeiro prédio, no entanto, havia diversas rachaduras que estavam sendo reparadas no momento da apresentação. No entorno da condomínio não há comércio, somente do outro lado da Avenida Brasil existe um supermercado. A região fica mais distante do centro do Rio, para quem não tem carro é muito pior sair de Pilares. O hospital Salgado Filho, porém, será substituído pelo hospital estadual Albert Schweitzer, nas proximidades em Realengo.
Segundo o relato de moradores do local, a região é tomada por milicianos mas não tem tráfico de drogas. De acordo com Roberto Amâncio Soares, representante da Associação de Moradores da Comunidade Vila Jurema, que fica próxima ao condomínio, muitas pessoas da região se inscreveram num cadastro da prefeitura mas não sabem se vão poder morar no local. Soares disse que as obras do condomínio ficaram mais de um ano paradas. Um policial militar, morador de Bangu, que chegou antes das atividades, disse a mesma coisa sobre os apartamentos: fez a inscrição na prefeitura, e não teve nenhuma reposta até o momento, a informação que ele recebeu na época era de que o condomínio seria ocupado por aproximadamente 70% de policiais militares.
Área central entre os prédios que serão habitados por 250 moradores do Morro do Urubu. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.
Área central entre os prédios que serão habitados por 250 moradores do Morro do Urubu. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

Um terreno enorme que fica em frente ao condomínio está trancado, o secretário municipal de habitação, Pierre Batista, não esclareceu qual o seu destino. Os moradores da região afirmam que será propriedade da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel, cuja sua atual sede se tornará uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Moradores que moravam nesse terreno, segundo a população local, foram expulsos à força de suas casas.
O prefeito Eduardo Paes ressaltou que todas as famílias que serão reassentadas por correrem risco de vida vão receber moradias dignas, num imóvel próprio com registro. Mas não explicou qual o critério para a adequação da casa própria dos moradores, em relação à sua nova moradia: muitos moravam em casas maiores, duramente construídas, e perderam tudo numa região atendida pelo Favela-Bairro há 12 anos. Paes declarou que vai anunciar na segunda-feira outro programa de habitação no Rio.

10 comentários sobre “A remoção dos moradores do Morro do Urubu para Realengo”

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  2. Nada disso precisaria acontecer se o governo tivesse em uma atitude de prevenção colocado, antes das chuvas, esses moradores em áreas onde não houvesse risco.

  3. sou morradora do morro do urubu e eu fui emganada eu ater agora nao recebi nada eu istou com minha casa emterditada estou morando na casa de amigo e eu ja vi que para ter a moradia em realengo eu vou tenquer botar a baca no tranbone

  4. sou moradora da canbuquira no morro do urubu e eu ja vi que realengo e iluzao nos aqui estamos esquecido obra no morro eso na aderbal e sede porque aqui e na paquequer eso istoria ater agora so promesa nada de aucilio alugel e nem moradia em realengo iso foi midia

  5. um abacha sinado queremosum soluçao
    gloria,sandra,maria.cimone.katia.vilma,michele,anamda.rose,rosa.antomia.paulo tiago.bruno,valdir,rasangela,monica.natalha,etc………………………………………………………………

  6. quebraram tudo aqui na comunidade do urubu e até agora nada de obras para melhorar a comunidade tem casas que estão precarias que correm riscos oque estão esperando? acontecer uma outra tragedia estamos abandonados não existe nada de bom neste lugar alguem olhe por nós.

  7. quebraram tudo aqui na comunidade do urubu e até agora nada de obras para melhorar a comunidade tem casas que estão precarias que correm riscos oque estão esperando? acontecer uma outra tragedia estamos abandonados não existe nada de bom neste lugar alguem olhe por nós e o pac não vai acontecer aqui.

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