À luz da nova política industrial Clube lota auditório para debater o futuro das telecomunicações no Brasil

“A nova política que esperamos acrescentar ao Plano Brasil Maior nos próximos 15 dias trará um regime especial para o Plano Nacional de Banda Larga, com incentivo à produção, desenvolvimento, prototipagem, com engenheiros brasileiros sediados e com patentes aqui indo muito além da montagem. Essa é uma política clara de um governo que assume que o poder de compra do Estado é um instrumento poderosíssimo de desenvolvimento e precisa ser usado”. A declaração é de Cezar Alvarez, Secretário Executivo do Ministério das Comunicações no seminário ”O Futuro das Telecomunicações no Brasil”, promovido pelo Clube de Engenharia, sexta-feira última, 12 de agosto, em parceria com a revista Carta Capital.
O Secretário Executivo do Ministério das Comunicações lembrou que a inovação tecnológica e a dimensão de sociedade do conhecimento incluem transformação social, cultural, econômica, política e institucional. Ao defender a necessidade de se investir em inovação, Alvarez foi enfático na defesa das empresas nacionais. “Não tenho a menor dúvida de que é preciso acelerar a densidade e a dimensão das políticas de inovação das tecnologias das telecomunicações, fazendo um esforço para que sejamos capazes de descobrir ou construir essa empresa brasileira. O processo se dará com ou sem ela, mas será muito mais fácil se tivermos uma empresa com esse conceito amplo e moderno de empresa nacional”, finalizou.
Balança comercial

Com a presença de especialistas e autoridades que participaram de dois painéis e responderam perguntas de uma plateia que lotou o grande auditório do 25º andar, Francis Bogossian, presidente do Clube de Engenharia, ao abrir o encontro, apontou os seguidos déficits da balança comercial no setor das telecomunicações como um indicativo claro da deficiência do país na área. “O déficit chegou a 27 bilhões de dólares em 2010, com previsão de 33 bilhões de dólares para 2011”, destacou. Francis citou o estado decadente do parque fabril no país. “As poucas indústrias nacionais que resistiram vivem de encomendas muito aquém de suas capacidades. Pesquisa e desenvolvimento praticamente inexistem. A nossa indústria eletroeletrônica representa atualmente cerca de 4% do PIB, enquanto em países desenvolvidos chega a 12%. Além disso, o segmento de manufatura de telecomunicações no Brasil vem acumulando seguidos déficits de faturamento: nos últimos três anos de 23,7%, e somente em 2010 cerca de 9%”, alertou.
Alan Fischler, Gerente de Tecnologia da Informação e Comunicação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), concorda com Francis e defende a necessidade do país romper o ciclo que o torna apenas um montador. “Os projetos são feitos fora do Brasil e os componentes são todos importados. Paradoxalmente, quanto maior é o mercado de telecomunicações, maior é o déficit. O que está acontecendo hoje, depois de muito tempo, é uma política industrial que tem como objetivo atrair investimentos e agregar valor à cadeia produtiva. O grande trunfo que temos é o mercado. O Brasil é um mercado extremamente relevante e tem características familiares para os investimentos, marcos regulatórios, leis de patentes etc. Para Fischler, não adianta competir em tecnologias maduras, sendo necessário identificar as futuras rotas tecnológicas. “É preciso sempre olhar para o futuro e investir em capacitação, pesquisa e desenvolvimento e, principalmente, em inovação”, declarou.
Banda Larga
Maximiliano Martinhão, Secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações esclareceu que o mercado é muito segmentado, inclusive nas formas de prestação de serviços. “A arquitetura é completamente verticalizada. Isso está se alterando com o avanço da tecnologia e da mudança gradual na forma de pensar. Mudam também os processos, integrando os diversos serviços em uma única plataforma”, explicou.
Segundo Marcio Patusco, chefe da divisão técnica de Eletrônica e Tecnologia da Informação que apresentou o posicionamento oficial do Clube de Engenharia, a banda larga deve ser um serviço púbico, dada a sua relevância estratégica, com consecução através de recursos públicos e privados conjugados e disponibilidade de acessos de baixo custo para faixas menos favorecidas da população. Patusco também defendeu a criação de empresa nacional para complementar e oferecer recursos às empresas operadoras existentes. “Exigências de universalização, qualidade, continuidade de serviço, tarifas e bens reversíveis só serão efetivamente possíveis com a adoção da banda larga como serviço público”, concluiu
Participaram, ainda, do seminário: Anna Hoffmann, Assessora de Projetos Especiais da Firjan; Jacques Benain, presidente da Trópico- Consórcio Gente ; Eduardo Levy Cardoso Moreira, diretor executivo do SindiTelebrasil; Jarbas Valente, conselheiro da Anatel; Celso Schroder, coordenador geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Caio Bonilha, presidente da Telebrás.
(*) Texto publicado originalmente na página do Clube de Engenharia do Rio de JAneiro.

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