A força da realização popular, ou o seu dinheiro de volta!

Parece estranha a relação? Participação popular com uma relação de compra e serviço? Pois é um sinal dos nossos tempos. E, bom sinal, por que não? Imagina poder decidir sobre os projetos culturais que terão oportunidade de realização? Imagina poder fazer justiça com as próprias mãos, consumindo um produto cultural que se apresenta pra você como proposta de mudança e de uma maior diversidade na nossa cultura?
Antes você somente teria acesso aos espetáculos, filmes, concertos, shows, que fossem de interesse de uma ou outra empresa, de um ou outro produtor, ou apadrinhado por algum artista conhecido, político, enfim, alguma “figura publica” e influenciável. Nos Estados Unidos o assunto não somente emplacou, como também já criou fenômenos, tipo de uma cantora considerada mais cult, pedir 100mil para realizar a gravação e distribuição de um CD, e levar mais de um millhão!
10% dos filmes apresentados em festivais de Sundance e Cannes de 2012 foram financiados pelo crowdfunding, isto significa que muitas ideias e projetos que antes não teriam os recursos mínimos para saírem do papel, não somente foram viabilizados, como também passaram a concorrer em territórios onde o poder econômico “manda” na produção de conteúdos. O artigo The new thundering herd, da revista The Economists, revela que alguns projetos atingiram montantes surpreendentes de arrecadação através do financiamento colaborativo, como, por exemplo, o Pebble, um relógio de pulso que se conecta ao iPhone, que arrecadou 10,3 milhões de dólares de quase 70 mil doadores que acharam a idéia interessante e resolveram investir nela.
Pois é, o público, não necessariamente como pensam os que se prendem a “nichos de mercado”, consome também inovação, atitudes inovadoras, criatividade na abordagem e, mais do que isso, independente do conteúdo, há a motivação em ser parte determinante no sucesso de uma proposta! Adeus impotência! Com apenas 10 reais (em grande parte das propostas) eu posso fazer a diferença!
Sim, e qualquer quantia colocada representa um benefício divulgado publicamente no site e, além disso, se o projeto não atingir o valor mínimo necessário para sua realização, há uma devolução automática no cartão de crédito utilizado, ou seja, você investe com retorno garantido!
Apostando nestas novas possibilidades, a artista Elen Nas (*) que, em 2009, realizou o primeiro projeto de performance como instalação em uma galeria de arte, resolveu unir o seu projeto de DJ-SUBAQUÁTICO (também a primeira iniciativa utilizando novos recursos tecnológicos para a comunicação com o público, de dentro d’água) com uma pequena orquestra de músicos.
A proposta é executar a obra “Bolero”de Ravel (**), ao vivo, em conjunto com a DJ debaixo d’água, acionando sons e programando efeitos que, até mesmo o público poderá acionar com os desenhos que a mesma artista cria.
Bacana mesmo é que os projetos que estão nestes sites são ações conjuntas de grupos que estipulam valores mínimos para realizar uma proposta. É uma forma de encaminhar um investimento coletivo que sai de um pequeno grupo, para um grupo maior, que serão os financiadores.
Um compromisso público entre todos, para o benefício do público que valoriza o compartilhamento de saberes, através das artes, dos talentos, valorizando o que cada um vêm investindo e o que cada um pode compartilhar, do melhor.
Assim o mundo muda, a cultura muda, a educação cresce, a ética se reconstrói, a vida se redesenha! 😉
Saiba mais:

Contato: sereialab@gmail.com
Elen Nas (21) 83458998
(*) Elen Nas, nascida no Rio de Janeiro, estudou música e percepção musical no Villa Lobos e Uni Rio, formou-se Bacharel em Sociologia pela Uff, ganhou um festival de música em 1996 e com a verba do prêmio, paga pela Petrobrás, viajou a europa em busca de novas oportunidades para um tipo de música e performance mais conceitual. Na europa, foi convidada para uma turnê em várias cidades da Escandinávia (Suécia, Noruega e Dinamarca), onde se apresentou como cantora-solo, com grandes bandas, nos melhores teatros destas cidades. Residiu em Munique por alguns meses, onde também se apresentou em centros culturais e em outras cidades da Alemanha. Em Berlin reencontrou amigos DJ’s que haviam recém formado, o hoje muitíssimo conceituado, grupo de DJ’s Jazzanova. Estabeleceu residência em Londres, por alguns anos e se apresentou em lugares conhecidos por uma curadoria bastante exigente, como o Instituto de Arte Contemporânea (ICA) e o Jazzcafe. Retornou ao Brasil, e passou a dividir seus investimentos de ação artística entre as artes visuais e a música eletrônica. Se apresentou como “performer” em diversos eventos na cidade, coletivas de artistas, e também como DJ em boates e festivais de música eletrônica. Pensando em novas alternativas para o campo da performance e arte sonora nas artes visuais, voltou seu foco para a idealização e elaboração de projetos, assim nasce a primeira experiência de mixagem sonora, de dentro d’água, no mundo, com uma cantora-lírica que submerge num aquário assumindo o comando sonoro como “DJ”. Uma combinação de “insights” moldado pela artista com objetivo de abrir novos olhares para a arte contemporânea, assim como novas perspectivas para uma produção artística múltipla que se encontra num único espaço de convívio, onde o público pode também tornar-se o regente, durante o contato com a obra.  Mais: http://www.sereialab.com
Para fazer comunicar a sua performance subaquática com o ambiente externo, a artista utiliza desenhos, símbolos gráficos, decodificados por um software, que a mesma programa de acordo com os objetivos sonoros que planeja obter de cada um destes desenhos. A ideia de unir a nomenclatura do “lab” ao seu projeto, possui um objetivo claro de investigação, testes de novas perspectivas e, no caso de uma instalação aberta ao público, um trabalho contínuo de observação e aprimoramento. “Sereia”, obviamente, sugere uma relação com todas as águas e, mais ainda, o aspecto feminino e sensorial deste elemento e tudo o mais que isto pode nos remeter.
(**) Ravel-Remix, como descrito no site de “crowdfunding” é uma proposta que une a DJ-Subaquática, com músicos ao vivo, para uma nova experiência compartilhada entre todos, ao vivo. Para transformar a proposta de instalação e diversas performances, num único evento, de baixo orçamento, e otimizar ao máximo a oportunidades desta primeira ação, será realizada uma filmagem da performance, com edição prensada e distribuída, e um espaço para dois concertos para o público apoiador, dentro do período de realização da filmagem.
Os músicos convidados a participar deste projeto, possuem, também,  características múltiplas: Ana Miccolis, harpista, é sobrinha da cantora lírica homenageada na edição de centenário do Theatro Municipal, Ida Miccolis, e é também matemática e empreendedora precursora de diversos campos da informática no Rio de Janeiro; Carmen Sarmet, é harpista da Orquestra Brasileira de Harpas, pesquisadora, mestra em música e psicanalista; Isis Figueira Machado, é harpista da OBH, compositora, arranjadora e professora de música; Leonardo Fuks é regente e criador da Orquestra Cyclophonica, engenheiro mecânico e físico, professor na Escola de Música da UFRJ, construtor de instrumentos, e o único doutor (Phd) em acústica musical no país. O grupo conta tamém com a presença de percussionistas da nova geração, como Thais Bezerra, que é também organizadora e regente do Multibloco.
(*) Divulgação da artista Elen Nas.

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