50 anos da Aepet e a luta pelo petróleo brasileiro

Fotos: AMBEP/Jonathan Fonseca

“Aepet, 50 anos pelo Brasil, Petrobrás e seu corpo técnico”, esse foi o título da festa de ontem (24) no Clube de Engenharia, no Centro do Rio, para comemorar o aniversário da entidade e sua luta pela soberania nacional. Com o auditório lotado e a presença de personalidades como o economista Carlos Lessa e o cientista Luiz Pinguelli Rosa, além de deputados e movimentos sociais, dentre outros, o evento se tornou um ato político histórico pela defesa do petróleo brasileiro.
O presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Leite Siqueira, destacou a necessidade de uma mobilização constante contra os leilões. “Leilão é privatização. É a desnacionalização de uma riqueza que pode fazer o Brasil deixar de ser o eterno país do futuro para ser o país do presente, do agora”. Ele leu em seguida para a plateia um manifesto assinado pelo Clube de Engenharia e pela Aepet,  que foi aprovado pela plenária e será entregue para a presidente Dilma Rousseff.
Símbolo da campanha “O Petróleo é nosso” e autora do livro “A luta contra o entreguismo, pelo monopólio estatal”, Maria Augusta Tibiriçá, aos seus 94 anos, destacou também os 130 anos do Clube de Engenharia e disse estar honrada por se tornar sócia benemérita da Aepet. Ela afirmou que o verdadeiro personagem dessa história é o povo brasileiro, que foi às ruas lutar pelo petróleo brasileiro.
“Posso afirmar sem nenhuma sombra de dúvida, foi a maior e mais prolongada mobilização popular no Brasil em prol do legítimo interesse nacional. Conseguimos a vitória pela luta ininterrupta do povo brasileiro de norte a sul. Hoje, recebo esse título pedindo licença para dividi-lo com os dirigentes da campanha e com todo o povo brasileiro. A palavra concessão deve ser riscada do nosso dicionário. Na campanha ‘O petróleo é nosso’, o Clube já estava engajado. Hoje, mais uma vez, estamos no Clube. Há campanhas que começam e que nunca podem acabar. Essa é uma delas. E enquanto me sobrarem lucidez e vida, estarei na luta pelo petróleo do povo brasileiro”, disse emocionada Tibiriçá.
Fotos: AMBEP/Jonathan Fonseca

Para o economista Carlos Lessa, é preciso pensar no pré sal se preocupando com as próximas gerações que, segundo ele, estão desavisadas da importância dessa riqueza nacional. Ele também lembrou que determinadas coisas marcam a vida de uma pessoa, como a luta pelo “Petróleo é nosso” marcou sua vida, por ser sua primeira participação num movimento cívico brasileiro,  e sua visita às favelas de Pernambuco que lhe deu consciência das injustiças em nosso país ao ver pessoas vivendo naquelas condições.
“A questão do pré sal é definidora do futuro do Brasil, que pode vir a ser uma Noruega tropical civilizada ou um Iraque do Atlântico Sul. Acho uma temeridade o Brasil se definir como exportar de petróleo, e quero agregar a ideia de que desenvolvimento é a utilização de energia local para as pessoas. Será que a nossa geração vai permitir que percamos essa riqueza? Porque a juventude não está suficientemente advertida que o Brasil pode se tornar um Iraque”, alertou o ex-presidente do BNDES.
Fotos: AMBEP/Jonathan Fonseca

Especialista em energia, Luiz Pinguelli Rosa ressaltou que o petróleo é um símbolo devido à sua história, pois uma geração inteira lutou por ele e um presidente, Getúlio Vargas, foi levado ao suicídio em sua defesa. Rosa destacou também a importante participação da Aepet nos últimos 50 anos na luta pelo petróleo brasileiro e defendeu que o pré sal seja um recurso para melhorar a imensa dívida social no país.
“Conseguimos vitórias relativas, como mudar as concessões para partilha nos contratos, mas ainda é pouco no sentido do futuro que o Brasil tem e o papel do pré sal. Somos um país com uma dívida social imensa e o petróleo pode ser um instrumento para melhorar ou piorar essa situação. Nacionalismo: tem pessoas que passam mal só de ouvir essa palavra, os jornalistas econômicos não gostam, tudo agora é globalização. Mesmo com a crise de desemprego até mesmo nos EUA. Quando nos comparamos com a China não podemos deixar de nos preocupar com o atraso tecnológico desse país, a Petrobrás é uma exceção. Noutras áreas o Brasil está ridiculamente atrasado tecnologicamente. Exportamos basicamente produtos primários, temos uma participação pífia na informática”, observou.

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